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Roger Waters admite erro em hashtag #EleNão, mas mantém critica a Bolsonaro

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O cantor Roger Waters se apresenta durante o Fantástico neste domingo (14) Imagem: Reprodução

Leonardo Rodrigues

Do UOL, de São Paulo

14/10/2018 22h59

Entrevistado pelo Fantástico na edição que foi ao ar neste domingo (14), o cantor Roger Waters reconheceu que exibir a hashtag #EleNão no telão, na execução da música “Eclipse” em show na última terça (9) em São Paulo, foi um grande erro de sua equipe, classificado como algo "totalmente inapropriado".

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Nas palavras d  ex-Pink Floyd, a exibição da mensagem, que já foi reproduzida por diversos artistas internacionais, deveria acontecer apenas uma vez, mais adiante na apresentação. “Era para ter aparecido mais tarde, durante a música ‘Mother’, na parte que diz ‘mãe, devo confiar no governo?’”, salientou Waters. "Aí faria sentido."

"Aquela parte era para aparecer pirâmides, lasers coloridos. Estávamos amando uns aos outros. No no fim é o clímax após a jornada longa que atravessamos. Na segunda noite em São Paulo nós não usamos hashtags", relembrou o músico.

"Na primeira noite eu não soube que tinha aparecido no telão. Achei que todos aplaudiriam, por que era isso que deveria acontecer. Naquele momento do show, em todos os lugares em que tocamos, todos ficam tão contentes nessa parte, todos aplaudem. Aí me perguntei: 'O que está acontecendo?'"

Reprodução/Twitter
Roger Waters exibe protesto contra Jair Bolsonaro em show em São Paulo Imagem: Reprodução/Twitter

Com a dupla projeção do protesto no telão, o público reagiu fortemente com aplausos e depois com muitas vaias, que foram ficando cada vez mais altas, chegando a interferir no andamento do show.

De acordo com Roger Waters, apenas em um segundo momento se deu conta se deu conta da polarização política que hoje reina no Brasil, a mesma de vários outros países do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, ele já foi vaiado por criticar duramente o presidente Donald Trump durante o show, no qual o republicano é comparado ao porco do álbum "Animals".

Vale lembrar que, antes de ser interrompido pelas vaias, na apresentação da última terça, Roger Waters também havia colocado Bolsonaro em uma lista de políticos neofascistas do mundo, ao lado de Trump e da francesa Marine Le Pen. A menção foi borrada ironicamente no show seguinte, substituída pela mensagem "Ponto de vista político censurado".

“Eles [os poderosos] são os inimigos. Eles são quem deveríamos lutar contra, não entre nós. Isso é que eles querem, que lutemos entre nós. Porque, enquanto lutamos, nós não focamos no nosso verdadeiro problema", opinou o ele, reafirmando sua posição politicamente combativa.

“Acredito que todos os artistas, não interessa de qual tipo de arte, têm responsabilidades de usar a arte para expressar ideias políticas e criar demanda em favor dos direitos humanos para todos."

Procurado pelo Fantástico, Jair Bolsonaro afirmou que não irá comentar os protestos de Roger Waters.

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