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Jon Secada embarca na maior turnê brasileira: "Nostalgia é boa para todos"

Divulgação
O cantor Jon Secada, que se apresenta em seis shows no Brasil Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

2019-03-21T04:00:00

21/03/2019 04h00

Cause I, I don't wanna say it
I don't wanna find another way
Make it through the day without you

Se esses versos sofrentes de "Just Another Day", devidamente amparados pela batida dos anos 1990, não fizeram um sorriso brotar no seu rosto, ou você ficou preso em uma máquina criogênica ou tem menos de 30 anos.

Lançada em 1992, a música é o grande sucesso da carreira de Jon Secada, americano nascido em Cuba, vencedor de dois prêmios Grammy, que liderou a invasão latina do pop da época, ao lado de nomes como Ricky Martin e Gloria Stefan.

Cada vez mais assíduo em terras brasileiras, o cantor começa hoje, em São Paulo, no Espaço das Américas, sua maior turnê brasileira, com seis shows em seis estados do país. Ele ainda passa por Porto Alegre (no dia 22), Uberlândia (dia 24), Natal (dia 29), Recife (dia 30) e Fortaleza (dia 31).

O "namoro" com os contratantes brasileiros se explica, em parte, pela onda de revival dos anos 1990 que invadiu o entretenimento brasileiro, virou novela e mudou a programação de rádios de grande audiência. Para Secada, não há lado ruim na nostalgia.

"Isso tem acontecido em vários lugares do mundo. Essa reconexão com artistas daquela época. Para mim, claro, é muito bom. Mas é bom para todo mundo. Significa que os fãs não se esqueceram da minha música", diz o cantor ao UOL, misturando inglês e espanhol nas respostas, assim como no início da carreira, quando lançava músicas em versões bilíngues.

UOL - Você vinha pouco ao Brasil, mas nos últimos anos virou quase um brasileiro. Por quê?

Jon Secada - Aconteceu naturalmente. Faz cinco anos que comecei a me conectar com os fãs brasileiros. Para mim é muito, muito especial estar aqui, cara. Sinto que os brasileiros sempre tiverem interessados na minha música. E é por causa disso que faço o que faço. A conexão que sinto pelos brasileiros é muito pessoal, e os fãs agora têm levados os filhos aos shows (risos). Esse apoio significa muito para mim.

Já pensou em gravar um disco por aqui?

Atualmente eu estou pensando em fazer outras coisas no Brasil. Vou trabalhar com uma empresa que me ajuda a acertar mais trabalhos com artistas brasileiros. É como desbravar um novo mundo, sabe? Existem muitos artistas incríveis por aqui, que você nunca chega a ouvir a falar nos Estados Unidos. Mal posso esperar para vir mais vezes e encontrar todos eles.

O Brasil entrou em uma onda de revival dos anos 90. Isso é bom ou ruim para música?

Eu acho demais. Isso tem acontecido em vários lugares do mundo. Essa reconexão com artistas daquela época. Para mim, claro, é muito bom. Mas é bom para todo mundo. Significa que os fãs não se esqueceram da nossa música. Dá para perceber que eles ainda são jovens e ainda a apreciam. É maravilhoso. Adoro o fato de, depois de 25 anos, poder voltar ao Brasil e me reconectar com as pessoas.

O que você acha dessa nova onda de artistas pop latinos, principalmente de reggaeton?

Sempre me interessei por vários tipos de música. A minha música é um pouco diferente. Gosto de fundir estilos. Mas eu admiro e respeito o que eles estão fazendo. Conheço o Luis Fonsi e acho ótimo o que ele e outros estão fazendo no reggaeton. Nos Estados Unidos, o mercado latino é muito forte. Não é algo que eu normalmente faria dentro do meu estilo, mas se eu tivesse que fazer algo com algum desses artistas, eu adoraria. Sem problema. São grandes artistas fazendo grandes trabalhos.

Hoje é difícil não falar da cultura latina hoje sem falar de política. Como você, que é ligado ao partido republicano, enxerga essa onda de extremismo global?

Acho que o mundo está passando por um período difícil. E isso muitas vezes não tem a ver exatamente com política. Todos esses problemas com terrorismo e crimes de ódio são uma loucura. Para mim, não importa de qual partido político você é. Temos que aprender a chegar até o outro, a compreendê-lo, a entender o problema e ser sensível e legal com todo mundo. Existem muitas pessoas propagando o ódio e enlouquecendo, matando. Esse é o grande problema, o que mais me incomoda.

Cuba vem aos poucos se abrindo ao capitalismo. Para você, qual é o futuro do país?

Acho que eles têm um longo caminho a percorrer ainda. O mudo está mudando, e fico feliz que Cuba esteja mudando também, mas ainda falta muito. Todos estão esperando que, dentro dos próximos 20 ou 25 anos, o país possa se transformar completamente e dar liberdade a todos os cidadãos. Acho que todos, especialmente os que nasceram lá, esperam que isso aconteça um dia.