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"Designated Survivor", um novelão na Netflix do jeito que o Brasil conhece

Divulgação/Netflix
Cena da série "Designated Survivor" Imagem: Divulgação/Netflix

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

14/04/2018 04h00

Todo brasileiro sabe identificar os elementos que fazem uma novela boa: intriga, morte, romance, conspiração, humor e, eventualmente, algumas doses de inverossimilhança. E essa fórmula pode ser encontrada em "Designated Survivor", série do canal americano ABC e exibida no Brasil pela Netflix.

A produção estreou em 2016 com a promessa de ser uma nova "House of Cards". Ambientada na Casa Branca, ela prometia mostrar os bastidores da presidência dos Estados Unidos. Mas, ao contrário de "House of Cards", o líder máximo da nação não era uma pessoa sem escrúpulos e sim um grande estadista, capaz de tomar as melhores decisões, mesmo sob intensa pressão.

O enredo é tão simples quanto mirabolante: um ataque terrorista explode o Congresso dos Estados Unidos durante o discurso do presidente e a maioria dos políticos (deputados, senadores, juízes e vários funcionários da Casa Branca) morre. Kiefer Sutherland, que interpreta o político Tom Kirkman, secretário de habitação, é o único sobrevivente e imediatamente empossado presidente dos Estados Unidos. No cargo, ele descobre que há uma conspiração muito maior, que visa dar um golpe no país.

Aos poucos, a série foi mudando o tom, deixando de lado o tradicional ritmo de uma série de TV e agregando elementos que a transformaram em uma novelona.

Com medo da queda da audiência, a série tem evitando temas polêmicos para focar em crises palacianas, romances entre funcionários e até na criação de um núcleo de humor. A política foi relegada a um pano de fundo e as grandes crises, quase sempre, ganham soluções rápidas e mirabolantes.

Quando você menos espera, as preocupações com a série deixam de ser com a conspiração internacional para explodir o mundo e passam a ser sobre um romance escondido de um casal de funcionários da Casa Branca ou se a nova piada do assessor de imprensa vai funcionar para aliviar a tensão em uma entrevista coletiva.

E nada disso significa que seja ruim. Com seu jeitão de novela da Globo, "Designated Survivor" fisga o espectador de um jeito difícil de soltar.

A série está na segunda temporada e o último episódio só será exibido pela Netflix em 16 de maio. É a hora certa para dedicar parte do seu tempo naquela maratona esperta. 

Senta que lá vem história

  • Protagonista sem nuances

    Kiefer Sutherland, no papel principal do presidente Tom Kirkman, incorpora o mocinho. Sem nuances que poderiam apontar uma personalidade dúbia, ele nunca toma uma decisão ruim. Seus princípios sempre estão em primeiro lugar. Algo bem semelhante aos mocinhos das novelas: é claro que o público vai torcer para eles se darem bem. O ator é bastante conhecido no Brasil pelo papel de Jack Bauer na série "24 Horas", que foi exibida pela Globo.

  • Trama fácil

    A trama, apesar de algumas situações mirabolantes, é bem simples. Não há subtramas elaboradas ou personagens densos. Não é complicado entender o que está acontecendo na série. Se um traidor surge, logo ele é descoberto e suas motivações são reveladas.

  • Muito romance

    Aos poucos, o público começa a torcer pelo casal formado por Emily Rhodes (chefe de gabinete do presidente) com Aaron Shore (consultor de segurança nacional). Na trama, eles mantêm um romance que vai e volta. Os dois, é claro, estão do lado dos mocinhos e suas virtudes também são exaltadas.

  • Núcleo humorístico

    Novela que se preze tem seu núcleo humorístico. Em "Designated Survivor" esse papel é interpretado por Seth Wright, assessor de imprensa da presidência. Suas maiores preocupações são as piadas que ele fará durante as entrevistas coletivas e como lidar com a impertinência de alguns jornalistas. Na segunda temporada há ainda outros dois escapes cômicos, vindos da nova advogada da Casa Branca e de um estrategista político do presidente.

  • Político honesto

    Em tempos de presidência de Donald Trump nos Estados Unidos e Lava Jato no Brasil, a população anda desiludida com a política. "Designated Survivor" afirma que, sim, é possível existir um político honesto que coloca os interesses públicos acima dos pessoais. Pena que é apenas ficção.

  • Michael J. Fox está no elenco

    Mais um rosto conhecido dos brasileiros: Michael J. Fox ficou muito conhecido por aqui pelo filme "De Volta Para o Futuro". A partir do dia 18 ele interpretará o advogado Ethan West, contratado pelo presidente para investigar um vazamento de informações. Seu personagem é competitivo e determinado. O típico estereótipo de advogado reconhecido em qualquer lugar do mundo.

  • Permitido para menores

    "Designated Survivor" é exibida nos Estados Unidos por um canal aberto, a ABC, que tem grande audiência em todo o país. Por ir ao ar em horário nobre, a série evita entrar em temas espinhosos, sem cenas explícitas de violência, sexo ou palavrão.