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O que a redação anda lendo? Jornalistas do UOL indicam 10 livros

Do UOL, em São Paulo

16/06/2016 11h06

Você é daqueles que adora fazer uma visita a livrarias mas, quando chega lá, não sabe exatamente por onde começar? Formada por jornalistas de perfis, sexos e idades diferentes, a equipe de UOL Entretenimento dá uma ajudinha e compartilha algumas dicas de leituras que estão em suas cabeceiras no momento. Tem de romances açucarados a históricos, de temas femininos a masculinos,de HQs a obras que foram parar nos cinemas. Confira a lista a seguir e, se preferir, deixe sua própria indicação de leitura na área de comentários desta página.

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    "A Amiga Genial", de Elena Ferrante (Globo Editora)

    A misteriosa escritora italiana, que não revela sua verdadeira identidade, faz o retrato cru de como é crescer em um bairro pobre de Nápoles no pós-guerra, a partir da amizade de duas meninas ?Elena, a narradora, e Lina. É o primeiro volume da chamada "Série Napolitana", formada por quatro volumes, cada um dedicado a um período da vida das garotas.

    A linguagem simples e direta da autora esconde ideias e construções complexas, como a violência prestes a irromper em cada acontecimento banal, a força da pobreza em moldar a vida de cada uma daquelas pessoas e a riqueza da vida interior das protagonistas mesmo na infância. Se fosse preciso comparar, a escrita de Elena Ferrante neste livro seria uma mistura de Clarice Lispector e Alice Munro, mas mais dura, direta e menos mística. (Natalia Engler)

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    "Americanah", de Chimamanda Ngozi Adichie (Companhia das Letras)

    Chimamanda virou pop depois de Beyoncé usar um trecho de sua palestra "Sejamos todos feministas" na série TEDx Talks na música "Flawless", mas no mundo literário a escritora nigeriana já era conhecida e elogiada por este livro, uma grande epopeia sobre a migração para os Estados Unidos e o retorno de Ifemelu, personagem que pode ser lida como alter-ego da escritora.

    É através dela que nos vemos fazendo questionamentos sobre racismo ?a protagonista diz que só se deu conta da existência dele ao ir para a América?, a diferença das heranças históricas entre os afro-americanos e os africanos, o machismo e o preconceito de classe que permeiam as relações na Nigéria e tantos outros temas, sem nunca cair no panfletário. (Natalia Engler)

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    "Quarto", de Emma Donoghue (Best-Seller)

    Narrado pelo pequeno Jack, 5 anos, "Quarto", de Emma Dooghue, emociona ao mostrar os dramas do menino com o admirável olhar da inocência infantil. Jack foi criado em um quarto, onde sua mãe, Joy, transforma aquele cômodo em seu mundo e faz de tudo para ele não notar que os dois estão mesmo em um cativeiro, onde o velho Nick os aprisiona.

    O menino é fruto do abuso sexual sofrido pela mãe, que mesmo assim ama o filho incondicionalmente e arma uma fuga para que juntos eles possam conhecer o mundo real e vivenciar novas experiências. Mas será que Jack gostará de conhecer o "Lá fora" já que até então o mundo dele se resume a um quarto? O livro foi adaptado para o cinema em "O Quarto de Jack". (Marcela Ribeiro)

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    "Quem Eu Era Antes de Você", Jojo Moyes (Intrínseca)

    A história do best-seller "Como Eu Era Antes de Você" pode parecer piegas ao falar sobre uma menina que conheceu um cara e se transformou, mas não se trata de uma história de amor simples. O livro conta sobre a pouco ambiciosa Louisa Clark, de 26 anos, que acaba de ser demitida do café onde trabalhava. Como última alternativa, vai trabalhar como cuidadora do tetraplégico Will Traynor, de 35 anos, que é rico e inteligente, mas mal-humorado e desanimado com a vida que leva.

    A história traz um "final feliz" que pode ser questionável (sem spoilers), mas não é por isso menos sensível e romântico. O livro foi adaptado para o cinema, com Emilia Clarke - a Daenerys, de "Game of Thrones" - no papel principal, e estreia marcada para esta semana no Brasil. (Roseane Aguirra)

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    "Mulheres de Cinzas", de Mia Couto (Companhia das Letras)

    Boa sugestão para quem se liga em romances históricos, "Mulheres de Cinzas", do escritor moçambicano Mia Couto, retorna à África do final do século 19, em um pequeno vilarejo chamado Nkokolani, que se vê entre a frágil proteção da Coroa portuguesa e o temor pelo avanço do exército do líder local Ngungunyane. Primeira de uma trilogia batizada de "As Areias do Imperador", a história é narrada alternadamente por Imani, uma adolescente de 15 anos da tribo dos VaChopi, e pelo sargento português Germano de Melo, ao qual a garota serve como intérprete. Pense numa espécie de encontro entre "No Coração das Trevas" e "Cem Anos de Solidão".

    Pelas cartas de Germano, endereçadas a um interlocutor que sequer sabemos se as está recebendo, percebemos mais sobre a atribulada colonização portuguesa no continente, o envio de degredados a postos avançados e abandonaos à própria sorte e o choque cultural resultante dos processos de assimilação. Ainda mais interessantes são as páginas "escritas" por Imani, em que aprendemos os costumes e crendices tribais, conhecemos a força da mãe, os fracassos do pai beberrão e os delírios do avô, que mistura momentos de sabedoria e escárnio.

    Num primeiro momento, o português de acento africano de Mia Couto pode causar estranheza aos leitores brasileiros não familiarizados com seus livros, mas vencidas as resistências iniciais, a experiência é recompensadora - embora nem sempre reconfortante. (Diego Assis)

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    "Vozes de Chernobil", de Svetlana Alexievich (Companhia das Letras)

    A vencedora do prêmio Nobel de literatura de 2015 humanizou a explosão seguida de incêndio na usina nuclear na Ucrânia, em 1986 ao trazer os relatos de viúvas, trabalhadores, cientistas e moradores da região. Sem sensacionalismo, mas com sensibilidade e muita apuração jornalística ela também expões o esforço das autoridades para abafar o caso. Svetlana Aleksiévitch é ainda uma das convidadas da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que acontece de 29 de junho a 3 de julho. (Mariane Zendron)

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    "Pssica", de Edyr Augusto (Boitempo Editorial)

    Edyr Augusto talvez seja o autor brasileiro contemporâneo que melhor represente o nosso tempo. Sua escrita é seca, direta, ágil, frenética, e suas histórias são brutais, sempre repletas de violência dos mais diversos tipos, sexo e drogas, tríade que define o submundo de qualquer grande cidade ? no caso de Edyr, a metrópole preferida é Belém. É lá o ponto de partida para a narrativa de ?Pssica?, seu romance mais recente, de 2015.

    Depois de uma garota de 14 anos ser expulsa da casa dos pais porque um vídeo no qual transava com o namorado estava circulando pelos celulares de boa parte dos habitantes da cidade, dá-se início a uma narrativa sobre ratos d'água, os piratas da Amazônia, e tráfico de escravas brancas que se estende para o Marajó e Caiena, capital da Guiana Francesa.

    Para quem for se aventurar, já vale o aviso: não há espaço para heróis nos livros de Edyr, no entanto, até o pior dos bandidos também parece ter o seu lado bom. (Rodrigo Casarin)

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    "A Ilha da Infância", de Karl Ove Knausgard (Companhia das Letras)

    Confirmado para a próxima edição da Flip, Karl Ove Knausgard é um dos nomes mais celebrados desta década na literatura. O motivo central é o conjunto de seis volumes, batizado de "Minha Luta", em que conta, não necessariamente em ordem cronológica, os principais acontecimentos de sua vida: do relacionamento mal-resolvido com o pai alcoólatra em "A Morte do Pai", título que inaugura a série, passando pelos casamento de "Um Outro Amor", até as primeiras descobertas dos tempos de criança em "A Ilha da Infância", que chegou ao Brasil em 2015 - as demais obras, ainda não lançadas por aqui, tratam do próprio trabalho de escrita dos livros e dos efeitos de sua enorme repercussão internacional.

    A descrição dos temas pode soar banal, mas o grande barato nos livros de Knausgard é se deixar levar pela reconstituição minuciosa e sensível que ele é capaz de fazer de eventos que ocorreram 20, 30, 40 anos atrás - e, se não ocorreram exatamente daquela maneira, o que seria compreensível em se tratando de uma narrativa semi-autobiográfica, você pode acabar acreditando que a "vida" é que errou ao traçar suas tortas linhas. Ler "A Ilha da Infância" é não só se transportar a uma Noruega gelada e chuvosa, sentir o frio e o cheiro da casa dos avós como também um mergulho na cabeça de um menino de 7 anos que poderia ter sido qualquer um de nós, com seus medos, alegrias e humilhações.

    Em resenhas que já foram escritas por aí, Knausgard é comparado a Proust por sua habilidade em tecer as memórias. A comparação faz sentido, mas não se deixe assustar pelos rótulos grandiloquentes. Quando terminar de ler algum de seus livros, vai concluir que Knausgard é um puta escritor, e isso basta. (Diego Assis)

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    "O Árabe do Futuro", de Riad Sattouf (Intrínseca)

    Outro convidado da Flip de 2015, Riad Sattouf é cartunista do Charlie Hebdo, jornal satírico francês atacado por terroristas em janeiro de 2015. Nesta HQ, em forma de trilogia, ele conta sua própria história. Filho de pai sírio e mãe francesa, Sattouf nasceu na França, mas se mudou para Síria muito jovem.

    O primeiro livro foca no período de sua adaptação em uma cultura totalmente diferente. Ele, uma criança loira de cabelos cacheados, enfrenta preconceitos, precisa ir à escola, fazer amizades e se adaptar. Um das coisas mais legais na história é o olhar infantil e curioso que ele dá sobre as cenas, as pessoas, os cheiros dos lugares. Como um estrangeiro dentro da sua própria história. (Roseane Aguirra)

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    "O Ano em que Disse Sim", de Shonda Rhimes (Best-Seller)

    A mulher por trás de algumas das séries mais populares da TV --"Grey's Anatomy", "Scandal" e "How to Get Away with Murder"-- e que explora temas tão controversos quanto personas que fogem de estereótipos comuns, é uma pessoa extremamente tímida e introvertida. Shonda Rhimes, uma americana de 46 anos, adotou o "não" como ponto de partida para sua vida, parte por causa da falta de habilidade social e parte pela infelicidade com o que via no espelho. O "não" era a resposta padrão para muitas ocasiões que a tiravam de sua zona de conforto --basicamente um lugar onde ela não tinha controle sobre o roteiro e em que os personagens eram pessoas reais. Quando Shonda se deu conta disso (a partir de uma bronca da irmã, que disse: "você nunca diz 'sim para nada'"), Shonda decidiu encarar encarar um ano dizendo "sim" para as oportunidades que surgiam, desde cuidar melhor da saúde até aceitar convites para discursos e talk shows. No final de seu desafio, ela havia perdido mais de 50kg, participado do programa "Jimmy Kimmel Live", parado de trabalhar nos finais de semana e optado pela vida de escritora em vez de aceitar uma proposta de casamento.

    Mistura de livro de memórias com auto-ajuda (que também foi transformado em TED Talk), Shonda conta de forma leve e espirituosa sobre a experiência de se abrir e parar de se esconder da vida. "Escrever este livro me deixa desconfortável. E essa, caro leitor, é a questão. (...) Estar confortável demais foi o que deu início a tudo isso, para começo de conversa". Ao mesmo tempo em que alguns de seus dramas soam ingênuos, suas histórias são dolorosamente humanas e compreensíveis --ela admite, por exemplo, como Cristina Yang, uma personagem de personalidade forte de "Grey's Anatomy", era a mulher que ela gostaria de ser. E como, às vezes, é preciso dizer alguns "não" para dizer outros "sim". (Mariana Tramontina)

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