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"Gênesis 2.0": Ideia de "Parque dos Dinossauros" está cada vez mais real

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Cena do documentário"Gênesis 2.0" Imagem: Reprodução

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

23/10/2018 04h00

A discussão é antiga, mas ganhou popularidade nos anos 90 com o livro e o filme "Parque dos Dinossauros": o homem brincando de Deus.

Agora, o documentário "Gênesis 2.0", dirigido por Christian Frei e Maxim Arbugaev e em cartaz na 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, analisa como cientistas estão desenvolvendo pesquisas sobre o genoma de criaturas extintas -- não dos dinossauros, mas de mamutes.

Desde um descobrimento impressionante em 2013, quando um mamute foi encontrado congelado na Sibéria, a comunidade científica vem trabalhando para reencarnar os ancestrais dos elefantes.

Enquanto a briga para clonar acontece, do outro lado do mundo, no extremo norte da Sibéria, "caçadores" estão em busca de presas de mamute, fósseis esquecidos por centenas de milhares de anos que valem muito dinheiro no mercado negro e que são necessários para a procura por uma nova vida.

Um "Parque dos Dinossauros" real?

Diretor do Museus de Mamutes de Yakutsk, na Rússia, Grigoriev Semyon Egorovich ficou impressionado quando soube que um grupo de caçadores havia encontrado um mamute congelado. O animal ainda tinha os músculos intactos e o melhor: ele sangrava. Egorovich correu para o local e conseguiu materiais para futuras pesquisas de DNA. Tudo o que ele precisava era de uma célula viva.

Egorovich deixou sua pesquisa nas mãos de duas empresas de tecnologia, cujo objetivo (segundo elas) é ajudar o mundo a se transformar em um lugar melhor. O falatório vazio guarda alguns mistérios, e deixa claro que por trás de muito trabalho científico há a necessidade de ganhar toneladas de dinheiro.

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Cena do documentário "Gênesis 2.0" Imagem: Reprodução

O sangue coletado por Egorovich dialoga com o filme icônico de Steven Spielberg na tentativa clonar criaturas extintas. Em "Parque dos Dinossauros", os cientistas conseguiram dar vida às criaturas a partir de mosquitos presos em âmbar que haviam picado várias espécies de dinossauros.

A ideia idílica de Michael Crichton, autor da série "Jurassic Park", está cada vez mais próxima de virar realidade. Há quem queira usar as células dos mamutes para incorporar com as dos elefantes, como o consagrado pesquisador George Church, o "papa" da engenharia genética. Mas a ciência precisa evoluir alguns anos até colher frutos sobre a clonagem destes animais.

"Estamos nos concentrando em reviver os genes do mamute para gerarmos um híbrido, que poderá procriar e resgatar o clima selvagem no Ártico", expôs Church, líder do projeto financiado pela Universidade de Harvard em entrevista neste ano ao "The Sun".

O outro lado

Muito distante das caríssimas instalações de pesquisas está o norte da Sibéria, local onde grupos de caçadores buscam presas de mamutes para diversos fins. Os trabalhadores ficam meses no ambiente gelado e vazio das Ilhas da Nova Sibéria para tentar conseguir algum dinheiro para suas famílias.

Eles vivem em cabanas, recebem a visita de ursos polares e passam o dia inteiro cavando o solo para descobrir materiais de qualidade. Enfrentam falta de comida, distância da família, pressão para conseguir dinheiro e até o folclore local.

"Gênesis 2.0" mostra a disparidade do mesmo tema. É curioso ver a expedição montada por Egorovich retirar a carcaça de um mamute congelado e então preparar uma cerimônia para a natureza. A superstição dos siberianos dialoga diretamente com os descobrimentos científicos, mesmo sendo tão incongruentes na teoria.

O nome do filme brinca com a possibilidade de o homem tomar conta do mundo. O Gênesis é o primeiro livro da Bíblia, em que há a descrição de como Deus criou o mundo em sete dias. Sem entrar em discussões religiosas, "Gênisis 2.0" é a versão atualizada do que a tecnologia vem proporcionando ao ser humano.

 O documentário ainda terá mais três exibições na Mostra de SP: quarta-feira (24 de outubro), sábado (27) e terça-feira (30).

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