A tecnologia ajuda ou atrapalha?
Termine o ano questionando e comece 2016 usando o universo digital ainda mais a seu favor
A internet que nós criamos veio para melhorar muitas coisas, mas tem coisas que ela não pode e nem deve mudar. Ao mesmo tempo em que a tecnologia é uma ferramenta capaz de nos manter em contato com amigos que não vemos há tempos e acompanhar quem a gente gosta mesmo quando a pessoa está longe, ela também pode servir como ponto de origem para ansiedade e alguns outros sentimentos.
Em 2013, uma pesquisa feita pelo site MyLife.com revelou que 56% dos entrevistados tinha o que se chama de Medo de Ficar Por Fora (Fear of Missing Out, em inglês). Eles achavam que, se ficassem sem acesso à internet, deixariam de saber sobre informações importantes sobre amigos e notícias. Afinal, recebemos essas informações em uma velocidade quase que em tempo real. No ano seguinte, um estudo feito no Brasil pela empresa VitalSmarts constatou que 89% das pessoas acreditam que o uso excessivo de smartphones e tablets pode prejudicar as relações de carne e osso.
A tecnologia nos desperta sentimentos das mais variadas naturezas. Até onde podemos chegar?
De acordo com a pesquisadora americana Sherry Turkle, autora do livro “Alone Together”, isso acontece por que nossos smartphones não são só acessórios, mas aparelhos potentes psicologicamente, capazes de mudar não apenas o que nós fazemos, mas também quem somos. “Toda tecnologia nos pede para confrontar valores humanos. E isso é uma boa coisa, por que nos faz reafirmar quais são eles”. “Nós temos tempo de fazer correções e lembrar de quem somos – criaturas com história, com psicologia profunda, de relações complexas, conversas sinceras e cara a cara”, diz.
“Nós estamos encarando uma decisão significativa. E não é sobre abandonar os telefones, mas sobre usá-los com uma intenção maior”, afirma Sherry. E alguns de nós já estão fazendo isso.
Em uma pesquisa da AVG Technologies centrada em pessoas com mais de 50 anos, 65% dos entrevistados afirmaram que, “graças à tecnologia, converso mais com meus netos do que o fazia com meus avós”. Se a tecnologia é neutra e pode ser usada tanto para falar rapidamente com as pessoas quanto para aproximá-las de forma mais significativa, cabe a cada um de nós, como indivíduos, passar a usá-la conscientemente da melhor forma possível.
É nossa responsabilidade estarmos sempre conectados ao que realmente importa – ao vivo, pelo telefone, por mensagem, por email e até onde não existe WiFi.