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Por que a versão do diretor é sempre a melhor versão de um filme

Roberto Sadovski

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Colunista do UOL

08/07/2020 19h50

Não são poucos os cineastas que dizem que um filme nunca é finalizado, e sim abandonado. A data de lançamento é a linha de chegada para um trabalho, mas nem sempre é o final da jornada. Cinema é uma arte coletiva, claro. Mas precisa sempre estar ancorada à visão da pessoa na linha de frente. Nem sempre essa visão é realizada por completo, seja pelo tempo curto, por orçamento apertado, por interferência dos produtores. Às vezes, entretanto, alguns diretores conseguem recolocar a mão na massa e ressignificar seu trabalho como ele deveria ser em primeiro lugar.

Se as "versões do diretor" não são novidade no cinemão, o assunto voltou à baila com a chegada de "Apocalypse Now: Final Cut" ao streaming. É um dos casos mais longos de cineasta inquieto com sua obra. No caso, o gênio Francis Ford Coppola, que no final dos anos 70 criou um dos maiores filmes sobre a guerra da história. Já à época o corte exibido no Festival de Cannes não era definitivo, e a versão lançadas nos cinemas por vezes seguia um caminho distinto.

apocalypse now final cut - LionsGate/Zoetrope - LionsGate/Zoetrope
Martin Sheen em 'Apocalypse Now: Final Cut'
Imagem: LionsGate/Zoetrope

O novo século trouxe uma interminável versão "Redux", mas quando a obra completou seus 40 anos ano passado, Coppola finalmente entregou um "Apocalypse Now" mais próximo do que ele havia previsto originalmente. Essa versão, exibida em 2019 também em Cannes, é a que a plataforma de streaming Belas Artes A La Carte agora disponibiliza.

Em várias ocasiões um diretor teve a chance de retomar sua obra e reconstruí-la como planejado. O caso mais famoso atualmente é o de Zack Snyder, que está remontando o fracasso "Liga da Justiça" para que a aventura de Superman, Batman e cia. recupere o rumo que ele traçara originalmente. Mas não se engane achando que o estúdio "atendeu aos fãs": é uma demanda comercial, uma ação para causar burburinho à plataforma HBO Max. Vai ser curioso ver "Liga da Justiça" com 4 horas e em formato de minissérie - não que seja melhor, claro...

Em minha coluna semanal para o canal do UOL no YouTube, lembro justamente das melhores versões do diretor ao longo da história, além de apontar outros filmes que podem também ser revistos por seus realizadores e recuperados em sua visão original. Aguardando ansiosamente pelo corte super anabolizado, estendido e bonitão de "Howard, o Super-Herói"!

Roberto Sadovski