PUBLICIDADE
Topo

Carl Reiner e Ray Harryhausen: Dois gênios centenários!

Roberto Sadovski

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Colunista do UOL

02/07/2020 03h49

A cultura pop experimentou júbilo e tristeza no último dia 29 de junho. A data celebra o centenário do nascimento de Ray Harryhausen, que mudou a face dos efeitos especiais em Hollywood com o uso da técnica stop motion para dar vida a criaturas fantásticas que alimentaram os sonhos de gerações. Mas também tornou-se um dia marcado pela comoção com a morte do ator, diretor e produtor Carl Reiner, uma dos artistas mais versáteis da indústria, aos 98 anos.

Em minha coluna no canal do UOL no YouTube eu lembro a trajetória dos dois mestres que deixaram sua marca e sua influência como legado.

Ray Harryhausen, morto em 2013, usou seu talento para dar vida a efeitos especiais tão fantásticos que ainda hoje são a base para a criação de seres saídos de sonhos - ou pesadelos. Influenciado pelo trabalho de Willis H. O´Brien, pioneiro da animação stop motion e responsável pelas criaturas no "King Kong" de 1933, Harryhausen foi aprender com seu ídolo e logo estava deixando sua marca.

Talvez sua obra mais famosa seja "Jasão e os Argonautas", de 1963, em que ele animou, quadro a quadro, o exército de esqueletos que luta com o herói interpretado por Todd Armstrong. Bastaram dezessete filmes para que Harryhausen deixasse sua marca, encerrando sua carreira em 1981 com "Fúria de Titãs". O reconhecimento (tardio) veio em 1992, quando ele ganhou um Oscar por sua inegável contribuição ao cinema.

Carl Reiner, por sua vez, praticamente trabalhou até seu último suspiro. Começando como ator ao fim dos anos 40 na série de TV "The Fashion Strory", passando para os palcos da Broadway e retornando para a televisão em meados dos anos 1950. Foi quando começou a escrever, expandindo sua marca em livros e no cinema. Na época tornou-se amigo de Mel Brooks, de quem se tornou parceiro em cena. A amizade estendeu-se a Dick Van Dyke, para quem ele escreveu, produziu e dirigiu no lendário "The Dick Van Dyke Show".

O trabalho como diretor rendeu a Reiner outra parceria inesquecível, com Steve Martin, que ele dirigiu em quatro comédias incríveis: "O Panaca" (1979), "Cliente Morto Não Paga" (1982), "O Homem Com Dois Cérebros" (1983), e "Um Espírito Baixou em Mim" (1984). A plateia do século 21 provavelmente vai se lembrar de Carl Reiner como o golpista Saul Bloom, parte da trupe reunida por George Clooney e Brad Pitt em "Onze Homens e Um Segredo" e suas duas continuações.

Dois gênios, um século de história, duas continuações sem igual para a arte de fazer rir e fazer sonhar. Às vezes tudo ao mesmo tempo.

Roberto Sadovski