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Chico Barney

Globo parece acreditar que o brasileiro odeia futebol

Reprodução/Sportv
Imagem: Reprodução/Sportv
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

11/06/2018 07h54

Com a chegada de boa parte da equipe da Globo na Rússia, estamos conhecendo melhor os planos da emissora para o mundial que se inicia nesta quinta-feira. A julgar pelas primeiras impressões, há um consenso entre seus diretores: o brasileiro odeia futebol com todas as suas forças.

Só isso pode explicar tanta distração do assunto principal de uma Copa do Mundo. A Globo age como o Ministério da Saúde, que coloca um boneco simpático, o famigerado Zé Gotinha, para amenizar as tensões que as crianças sentem quando descobrem que vão tomar vacina.

Imagine Tadeu Schmidt fazendo aviãozinho para que você consuma todo o cardápio de uma competição deste tamanho. É sobre isso que estamos falando quando descobrimos que os Cavalinhos do Fantástico também ajudarão o apresentador em suas incursões russas. E que o povo engula o simpático fantoche de ushanka soviética falando “vodca” e “perestróika” como se estivéssemos todos nos recuperando de algum traumatismo craniano.

Não bastasse isso, ainda descobrimos que o Central da Copa agora será uma brinquedoteca para marmanjos, onde Tiago Leifert e Caio Ribeiro poderão desbravar novas maneiras do constrangimento generalizado. O cenário é um campinho de futebol em led, onde os apresentadores podem fazer muitas brincadeiras e falar da maneira menos objetiva possível sobre as atividades do dia na Rússia.

Claro que a criatividade e a diversidade de ideias na transmissão esportiva são muito bem vindas. Mas dá uma certa tristeza pensar que o resto da programação provavelmente contará com os textos rocambolescos de figuras como Tino Marcos e Pedro Bassan, sempre narrando um simples tênis desamarrado do Neymar como se fosse alguma epopéia.

Com tantos estádios vazios no Brasileirão e a eterna tendência ao ódio desmedido por uma parte relevante de torcedores, é até compreensível que a Globo procure aproximar suas transmissões esportivas do clima das antigas quermesses. Resta saber se tanta microfonia não vai confundir mais do que aproximar.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

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