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Chico Barney

Triste do país que tem Chaves como a maior novidade na TV paga

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Chaves Imagem: Reprodução
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

07/05/2018 14h22

Ainda lembro quando João Emanuel Carneiro deixou o público animado graças aos rumos de “Avenida Brasil”. Estávamos todos esperançosos de que uma nova fase da dramaturgia estaria adentrando nossos lares de maneira definitiva. A partir de então, teríamos histórias simples e arrebatadoras com nova roupagem. Uma levada mais moderna, ágil e sensacionalista, como os melhores produtos do gênero ao redor do mundo.

Foi mais ou menos na mesma época em que passamos a acreditar em um futuro mais brilhante para nossa TV paga. Leis de incentivo trouxeram um pujante bafafá na produção audiovisual nacional. A era de ouro da televisão, tão apregoada pelos especialistas, estaria finalmente chegando aos trópicos.

A expectativa era alta. O momento parecia favorável para o nascimento de nossas próprias interpretações para "The Wire", "Mad Men", "Breaking Bad". Mas que diabos, nem um "The OC" a gente consegue fazer sem colocar tudo a perder.

Divulgação/SBT
O comediante mexicano Roberto Gómez Bolaños posa como Chaves Imagem: Divulgação/SBT

Então o que sobrou para os canais a cabo? A realidade, que nada mais é do que reprises dos talk shows de Danilo Gentili e Fábio Porchat, além de uma ruidosa aquisição de 500 episódios do Chaves por parte do Multishow.

Logo o Multishow, que notabilizou-se pela vasta produção de conteúdo inédito ao longo dos últimos anos. Que deu ao mundo iguarias finíssimas como "Lady Night", da Tatá Werneck, "Música Boa Ao Vivo", primeiro com Thiaguinho, depois Anitta e em breve com Iza. Tudo bem, também despejou tralhas como "Partiu Shopping" do Tom Cavalcante e "Acredita na Peruca" com Luiz Fernando Guimarães.

Mas qualquer tragédia filmada em casas de comédia seria menos melancólica do que a festa por conta da estreia de Chaves como carro-chefe da programação 2018. Nada contra o programa, que causa estranho fascínio há quase 40 anos por aqui. E muito pouco a favor, é verdade.

Não tenho o intuito de fazer qualquer juízo de valor sobre o programa, mas humildemente lamentar que ele seja uma das poucas novidades dignas de nota na TV paga em 2018. Com o número de assinantes em franca decadência, chego a lembrar de Dona Florinda sugerindo que Kiko não se misture com essa gentalha.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

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