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Chico Barney

Datena tem importante lição para aprender com Faustão

Kelly Fuzaro/TV Bandeirantes
Datena estreou atração dominical na Band com seis horas de duração Imagem: Kelly Fuzaro/TV Bandeirantes
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

29/04/2018 04h00

Não sou dado a demonstrações públicas de afeto, mas já expressei repetidas vezes por aqui a minha admiração pelo comunicador José Luiz Datena. O bardo do cotidiano atribulado da grande metrópole consegue narrar histórias e manter a atenção do telespectador como poucos profissionais nessa indústria fundamental.

Datena esteve no olho do furacão ao longo das últimas semanas graças ao lançamento de seu novo programa de auditório. Como bônus, a inusitada duração de surreais 6 horas. A estreia ocorreu no último domingo e foi dissecada com curiosidade e espanto por críticos muito melhores que eu.

Mas creio que seja necessário chamar a atenção para um aspecto específico do “Agora é com Datena”, programa cujo nome parece até slogan de campanha política. Tirando a última hora de exibição, com um game show estrangeiro, a atração não tem rigorosamente nenhum formato.

Datena emendou 5 horas de longos bate-papos sem nenhum direcionamento específico, eventualmente interrompidos por modas sertanejas, reportagens sobre a situação da Venezuela ou uma vovó que adoraria conhecer Luan Santana.

Reprodução/Globo
O apresentador Fausto Silva Imagem: Reprodução/Globo

Creio que o Domingão do Faustão seja um excelente benchmark para qualquer programa de entretenimento nesses moldes. Por mais que a Globo tenha o elenco mais valioso e popular do entretenimento brasileiro, tanto faz quem estará no programa. São os formatos que criam o interesse no telespectador. Tanto é verdade que já faz um tempo que Faustão sequer se dá ao trabalho de anunciar quais serão as atrações musicais, reveladas apenas durante a exibição graças à dinâmica de quiz do Ding Dong.

O prezado leitor poderá até apontar que os formatos apresentados pelo filho mais querido da Dona Cordélia e do Seu Maury são caríssimos, tanto na questão dos direitos quanto na produção. Terei a satisfação de concordar. Mas não precisa ir a nenhuma feira internacional para conseguir estabelecer propostas mais interessantes nas longas horas de Datena no ar.

Primeiro convidado na estreia, Amado Batista passou cerca de uma hora no palco proseando com o apresentador. Falaram sobre carreira, música e outros pormenores. Parecia um especial dedicado ao fã-clube do cantor. Não é o suficiente. O melhor momento, para se ter uma ideia, foi quando Datena anunciou uma entrevista com Jair Bolsonaro e Amado bradou: “esse é fera!”

Com uma simples orientação temática o programa já ficaria muito mais atraente. Digamos que um um quadro semanal com artistas populares falando sobre política, cidadania e as mazelas da sociedade. Seria a possibilidade de ver grandes vultos da cultura nacional falando menos obviedades, saindo do lugar comum. E não consigo imaginar interlocutor melhor para a missão do que Datena.

O potencial do programa é imenso, resta preparar o conteúdo com o carinho que apresentador e audiência merecem.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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