Topo

Coluna

Chico Barney

Jornalismo da Globo São Paulo aproxima Datena e Bonner

Reprodução/Instagram/cesartralli
Cesar Tralli, um corajoso repórter investigativo de coração mole Imagem: Reprodução/Instagram/cesartralli
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

14/12/2017 13h31

O jornalismo da Globo em São Paulo não tem equipe, trata-se de um elenco. E um dos melhores do showbiz mundial desde "O Poderoso Chefão 2". Alguns destaques de raro talento vêm liderando importante trabalho para realmente modernizar a linguagem dos telejornais da emissora.

Os âncoras mais consagrados estão a um passo de perder o bonde da história. O processo de aproximação do público vai muito além de se levantar da bancada e caminhar quando acaba o programa. Ou trocar ideia por Skype com a repórter responsável pela previsão do tempo. Ou incluir expressivas reações de indignação, surpresa e encanto depois de uma reportagem.

A humanização do jornalismo Robocop da emissora passa por respeitar a verdade do indivíduo, além de um lento e bem construído desenvolvimento das características de cada personagem.

Veja quem são os destaques dessa tendência.

Monalisa Perrone

Entre as jornalistas mais experientes da turma encontra-se a cidadã mais feliz do Brasil às 5h da manhã. A apresentadora do "Hora Um" consegue mesclar como poucos a informalidade de um "Brasil Urgente" com a dignidade de um "Jornal Nacional". Não à toa, certamente serviu como referência para o atual clima dos telejornais locais de São Paulo.

Jacqueline Brazil

Além das previsões do tempo, Jacqueline faz diversas reportagens interessantíssimas, sempre parecendo tão íntima dos seus interlocutores quanto do público em casa. Também brilha no Instagram, mostrando os bastidores das manhãs globais com graça e charme. É uma das mais eloquentes operárias da televisão popular bem feita.

Michelle Barros

 

Repórter e integrante do rodízio de apresentadores do "SPTV" aos finais de semana, Michelle ganhou o Brasil graças à emocionante cobertura que fez do Carnaval paulista em 2016. Absolutamente à vontade, buscou personagens e histórias que pudessem animar a triste audiência que acompanhava os desfiles das escolas de samba de São Paulo, uma missão inglória. Mas deu tudo certo. E desde então tem chamado atenção com sua abordagem informal e divertida.

Rodrigo Bocardi

 

Por que vocês fazem isso comigo? #oqueeufizpravoces Update: achei o responsável. é o @luciano_andrade2509 !!

Uma publicação compartilhada por Rodrigo Bocardi (@rodrigobocardi)

em

Bocardi foi bombardeado quando começou a apresentar o "Bom Dia SP". Conseguiu impor seu estilo e hoje é um dos mais celebrados âncoras do país. O jornalismo local vem fazendo um excelente trabalho no sentido de desengessar o formato e privilegiar a poesia das transmissões ao vivo. Bocardi encarna uma espécie de meio do caminho entre William Bonner e apresentadores mais despachados, como José Luiz Datena e o saudoso Marcelo Rezende.

César Tralli

Quem diria que o corajoso repórter investigativo de outrora teria um coração tão mole. Tralli é um querido, como aqueles anfitriões que ficam insistindo para você aceitar um cafezinho e talvez uma outra fatia de bolo. De todos os integrantes, é quem tem experimentado melhor os limites entre sua existência como jornalista e a condição de personalidade de mídia. É bom saber que a Globo está testando seus próprios limites. Imagino até que sua postura de celebridade possa ter influenciado a recente exposição de Bonner como homem público.

Quem será o primeiro repórter da Globo São Paulo a participar de uma vindoura edição de "A Fazenda"?

Voltamos a qualquer momento com novas informações.