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Chico Barney

Cartunista anti-aborto causa polêmica na internet

Reproduçã/Facebook
Imagem: Reproduçã/Facebook
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

09/12/2017 04h00

Foi a Laerte quem educou de maneira mais abrangente o público brasileiro sobre tirinhas e cartuns que fugissem da obviedade do humor. Sempre fomos acostumados ao Garfield, ao Hägar e aos Piratas do Tietê cometendo loucuras que se resolviam divertidamente em três ou quatro quadrinhos por dia.

Mas já são mais de 15 anos desde que Laerte começou a publicar trabalhos existenciais, com questionamentos e digressões acerca da sociedade e do indivíduo. A punchline deixou de residir na risada do último quadrinho e passou a viver na esperança de provocar profundas reflexões no leitor.

A guinada da artista fez com que boa parte da produção nacional também resolvesse enveredar pelo caminho, digamos, filosófico. Infelizmente não é todo mundo que tem uma cabeça privilegiada como a da Laerte, mas o que fazer? Falo por mim mesmo, que mal sei rimar lé com cré e continuo neste espaço, envergonhando minha família dia após dia.

De qualquer forma, importante notar que pautas progressistas costumam orientar a produção artística do Brasil, especialmente em recônditos mais marginais como os quadrinhos. Mas um cartunista vem ganhando espaço com um discurso bastante conservador. Cristão fervoroso, o "Desenhista Que Pensa" vem somando cada vez mais seguidores em suas redes sociais.

Em sua página no Facebook, que ostenta mais de meio milhão de seguidores entre fãs e detratores, o Desenhista Que Pensa tem como disclaimer o seguinte aviso: "tiras feitas por alguém que realmente pensa por conta própria". Seus pontos de vista sobre as coisas do mundo são validados por uma interpretação bastante pragmática da Bíblia.

Os principais alvos do autor são as feministas, os homossexuais "praticantes", o comunismo e o aborto. O último tema, em especial, tem comovido os internautas. Peças gráficas de um melodramático mau gosto estão viralizando e se tornando memes. A popularidade não parece sustentar qualquer tipo de anuência ao conteúdo.

Em tempos de intensa transformação no cenário sócio-político nacional, fico com a pulga atrás da orelha: será que o Desenhista Que Pensa seguirá seu caminho como um pós-Smilinguido da distopia tropical em que vivemos ou será capaz de tomar fôlego para se estabelecer como um artista relevante e formador de opinião?

Enquanto a resposta nos aguarda em um futuro próximo, convido o prezado leitor para apreciar algumas amostras de tão curiosa obra. Por sua conta e risco, você pode conhecer mais do trabalho do Desenhista Que Pensa no Facebook e no YouTube. E evite comentar por aí que conheceu essa arte tão subversiva por minha causa.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

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