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Chico Barney

Existe futuro para concursos de beleza como o Miss Universo?

AFP PHOTO / Miss Universe Organization / Matt Petit
Monalysa Alcântara vai representar o Brasil no Miss Universo Imagem: AFP PHOTO / Miss Universe Organization / Matt Petit
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

26/11/2017 04h00

Diz Cacau Oliver que o Miss Bumbum está dando seus últimos respiros. O ano de 2018 deve abarcar a temporada final do concurso que serviu como porta de entrada à fama para figuras como Andressa Urach. É uma tragédia nacional. Cacau Oliver, pra quem ainda se atreve a não saber, é um dos mais geniais relações públicas da história da humanidade. Com sua criatividade e ótimo elenco a disposição, pautou a efervescente cena das subcelebridades ao longo da última década.

O ocaso do Miss Bumbum, que deixa seu legado para os anais do cânone brasileiro, abre espaço para que um outro concurso de beleza volte a crescer em relevância. Neste domingo teremos a exibição ao vivo do Miss Universo, uma disputa que, apesar do nome, coloca apenas mulheres do planeta Terra para brigar pelo título de mais luminosa presença do ano.

A fascinante Monalysa Alcântara é a nossa representante em tão importante disputa. Pode ser a última chance de brilharmos no cenário internacional neste tenebroso 2017. A atual Miss Brasil foi eleita antes no Piauí, em uma demonstração de que, apesar de desacostumados, ainda sabemos votar. Pelo menos em algumas eleições bem específicas.

Dentre os mais relevantes sinais dos tempos em que vivemos, o Miss Brasil teve seus naming rights vendidos para a Be Emotion, braço responsável pelos produtos de beleza da Polishop. É curioso pensar que o pragmatismo estético de João Appolinário tem tudo a ver com um concurso de Miss. As promessas de uma passarela não são diferentes do que esperava-se dos óculos Ambervision ou das facas Ginsu. Explico: - as juras de paz mundial advém de bugigangas. No caso, é bom dizer, a coroa e a faixa.

O concurso tem procurado enaltecer iniciativas humanitárias e empoderadoras das postulantes ao cargo. Em uma seção do site oficial é possível descobrir fatos inspiradores a respeito de seis misses. Nossa candidata está entre os destaques, graças ao grupo de conscientização sobre beleza e autoestima para adolescentes negros que ela coordena, certamente a iniciativa mais legal da lista. Leia a íntegra aqui.

A breve contextualização é para comentar uma tendência que parece ser a realidade dos concursos de beleza daqui por diante: a postura “carbono zero” de seus organizadores. Ao mesmo tempo em que prestigiam as mulheres por conta de suas características físicas, faz-se o possível para abrir o leque e mostrar o que de relevante realizam em prol de um mundo melhor. “As belas que me perdoem, mas altruísmo é fundamental”, parecem dizer as engrenagens do novo século.

Claro que o formato ainda requer constantes melhorias. Tomo como exemplo a competição das “100+ sexy” da VIP”. A premiação da revista masculina da editora Abril está há 20 anos prestigiando as mulheres mais célebres do país, sempre obedecendo um evidente recorte editorial voltado à sensualidade. Como resposta aos anseios da sociedade civil, a lista perdeu o “sexy” e ficou apenas “As 100+”. E aí entra o calcanhar de Aquiles do novo conceito. A orientação agora é uma busca pelas mulheres com “beleza nas atitudes”, com inteligência e talento para fazer de nossa existência uma realidade “mais legal e menos intranquila”. Mas o perfil das agraciadas pela revista segue rigorosamente o mesmo.

Se apresentava Luana Piovani, Scheila Carvalho e Daniella Cicarelli nas décadas passadas, hoje o elenco é formado por Bruna Marquezine, Marina Ruy Barbosa e Paolla Oliveira. Quem quiser problematizar poderá dizer que apenas as mulheres sensuais podem ser interessantes e inspiradoras, embora eu duvide que alguém na editora realmente pense isso. Falo deste caso da revista, cuja leitura considero sempre proveitosa, apenas para ilustrar como um conceito pode ficar manco quando o reposicionamento é realizado apenas na teoria.

Toda sorte de competição tende a ser um interessante entretenimento para as massas. Para se adequar às condições morais e éticas de um mundo em transformação, os concursos de Miss têm dois caminhos. Podem encontrar cada vez mais maneiras de mostrar a alma de seus competidores ou aceitar a própria canhestrice frente às questões contemporâneas, o que também parecerá legítimo para muita gente. Independente disso, minha torcida é para que mais ninguém procure pela mesma solução de Cacau Oliver. O show não pode parar!

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