PUBLICIDADE
Topo

Música nova estabelece Anitta como mais uma cantora pop genérica

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook
Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

14/10/2017 04h00

Mais recente lançamento do projeto CheckMate, "Is That For Me" é uma parceria de Anitta com o famigerado Alesso. O produtor & DJ é um mestre da música eletrônica em suas vertentes mais "farofas", ou seja, aquele house bem sem vergonha. Por mim, tudo bem.

O single poderia figurar na discografia de Rihanna, Jennifer Lopez, Fergie, Justin Bieber ou Britney Spears. É certamente a mais genérica encarnação de Anitta, que parece acreditar que o melhor jeito de fazer sucesso lá fora é se misturar à paisagem.

É interessante notar as mudanças na sonoridade da cantora.

Anitta começou com funks que considero clássicos modernos do estilo. "Menina Má", "Proposta", "Fica Só Olhando" e "Eu Vou Ficar" estão entre as melhores músicas do gênero nessa segunda década do século 21.

Ao lançar seu primeiro disco pela Warner, o funk passou a ser um elemento mais diluído. Apesar de músicas como "Meiga e Abusada" e "Show das Poderosas" remeterem às origens, a estrutura ia ficando mais pop. E não tem como esquecer de "Zen", hit que se apropriou da mesma toada de qualquer música do Natiruts. Os horizontes foram se expandindo naturalmente nos trabalhos seguintes.

Carmen Miranda - Divulgação - Divulgação
Anitta não está disposta
Imagem: Divulgação

Eis que as recentes parcerias com Iggy Azalea, Pabllo Vittar, Major Lazer e Poo Bear já indicavam que Anitta não pretende chegar na terra de Donald Trump com frutas tropicais penduradas no chapéu.

A estratégia é conquistar espaço nos vídeos relacionados de artistas pop internacionais, em vez de encalhar nas prateleiras de world music. Faz mais sentido do que gostaríamos de admitir, e ainda é um bom uso de seu talento e até do "physique du rôle".

Espero que Anitta esteja permitindo essa anulação artística para ganhar espaço e, aí sim, fascinar o mundo com o sacolejante pop de batida funk. Mas o fenômeno da gentrificação costuma ser um caminho sem volta, infelizmente.

Vamos ver o que vem por aí.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL