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Chico Barney

Como aprendi a parar de me preocupar e passei a amar Dinho Ouro Preto

Marcia Ribeiro/Folhapress
Dinho Ouro Preto Imagem: Marcia Ribeiro/Folhapress
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

09/10/2017 10h36

A consagração popular dificilmente caminha junto com a laureação da crítica para as bandas nacionais de rock. Apesar da curiosa relevância que o Capital Inicial mantém com públicos de diversas idades, nas rádios e na internet, o desdém é a tônica no trato dos especialistas com o conjunto. Como um fiel defensor dos interesses do povo, reúno aqui alguns motivos que me fizeram gostar muito de Dinho Ouro Preto, o último roqueiro bem-sucedido do Brasil.

A eterna meninice

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram
A história perdeu o bonde de Dinho Ouro Preto. Enquanto as coisas de sua época ficam para trás ou retornam com a ironia dos ‘revivals’ e afins, o cantor permanece incólume no centro dos acontecimentos.

E mantém a jovialidade de um adolescente dos anos 80.

Gírias da estirpe de ‘moçada’, ‘irado’ e tantas outras acabam contrastando com as feições de menino, como se fosse um caso de troca de identidades à moda daquele filme em que certa manhã Glória Pires acorda de sonhos intranquilos metamorfoseada num Tony Ramos. 

A indignação com a situação do país

Reprodução/Multishow
Imagem: Reprodução/Multishow
Muitas pessoas acabam abraçando o cinismo quando sofrem desilusões. O tempo costuma criar uma casca de desesperança, uma completa falta de perspectiva. Mas Dinho Ouro Preto se recusa a deixar de acreditar.

É uma das personalidades mais consistentes no levante contra a corrupção generalizada que assola o país. E certamente o último motivo para ter orgulho de Brasília, sua cidade natal. 

O melhor acústico da falecida MTV

Poucas obras musicais conseguem atingir o mesmo grau de satisfação do usuário quanto o disco oriundo do episódio do Capital Inicial na série Acústico MTV. O setlist parece muito com voltar pra casa e encontrar tudo no lugar certo depois de uma longa viagem, talvez longa até demais no caso do grupo. Já são quase 18 anos desde o histórico lançamento, que continua a prover repertório para luaus, saraus e apresentações de bandas cover de procedência duvidosa.

Uma contribuição fundamental à internet

Ainda no seu intuito de gerar boas energias em prol de um acordo universal da juventude, Dinho demonstrou no Twitter uma certa nostalgia pela época em que a banda Nirvana encontrava consenso. Quis o destino que o cantor cometesse um erro pedestre de digitação, absolutamente nada de especial. E acabou virando meme.

O tweet tem mais de 4 anos e conta com quase 100 mil compartilhamentos. É uma das frases preferidas da brasileiríssima internet à pururuca.

A criação do YouTube - ainda que com alguns anos de atraso

A revista Rolling Stone chamou alguns artistas para discutir saídas para a indústria fonográfica em 2014. Dinho surgiu com uma ideia absolutamente revolucionária - pelo menos se alguém tivesse perguntado para ele alguns poucos anos antes. O processo imaginado pelo cantor parecia demais com o sistema já em vigência há tempos com o YouTube e outros serviços de streaming.

Salvou Renato Russo

Talvez o grande feito de Dinho Ouro Preto tenha sido dar alguma graça a uma música de Renato Russo. E nem estou falando daquelas todas que o Capital regravou, mas de “Marcianos invadem a Terra”, presente no inesquecível disco solo lançado durante o tempo em que esteve afastado da banda.

E esses são os meus motivos. Caso tenha algum, compartilhe com o mundo nos comentários. Voltamos a qualquer momento com novas informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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