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Chico Barney

Globoverso: É hora de a Globo copiar Marvel e ter seus próprios Vingadores

Reprodução/TV Globo
Os implacáveis Pescador Parrudo, Bibi Perigosa e Tufão Imagem: Reprodução/TV Globo
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Chico Barney

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Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

14/09/2017 04h00

A indústria do entretenimento norte-americano criou universos compartilhados fascinantes. Existem muitos exemplos, mas nenhum é tão relevante culturalmente neste momento quanto a Marvel. A editora conseguiu transpor com muita engenhosidade a conexão entre personagens que existem nos quadrinhos para seu estúdio cinematográfico.

Temos dezenas de filmes protagonizados por heróis que habitam o mesmo mundo, onde as ações em uma história do Homem de Ferro podem ter impacto em um lançamento vindouro do Thor. Sem contar quando todos se reúnem para quebrar a cara de uns alienígenas nos filmes dos Vingadores.

Pensando no cânone nacional, nada é mais popular do que as novelas da Globo. E se todas estivessem de alguma forma conectadas?

Para manter seu catálogo de propriedades atualizado, a emissora tem feito um esforço de trazer em nova roupagem marcas que estavam encostadas: "Escolinha do Professor Raimundo" e "Trapalhões" estão mostrando que o caminho faz sucesso.

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Mas existe um próximo passo a ser dado, que promete ser ainda mais rentável.

A Globo precisa pegar grandes personagens da sua teledramaturgia e reimaginá-las em novos produtos, criado um universo compartilhado dirigido por profissionais de marketing.

Dentro do esquemão do showbiz, faz sentido que as "properties", como chamam os anglo-saxões, estejam em um nível de importância acima dos seus criadores.

Por aqui ainda colamos personagens e linhas narrativas exclusivamente com a interpretação de seus criadores originais. Mas eles podem render muito além disso. Não é de maneira alguma diminuir a importância do trabalho fundamental de grandes autores, mas colocá-los sob uma nova perspectiva dentro da indústria do entretenimento.

A dramaturgia da Globo precisa de um Kevin Feige (produtor cinematográfico, presidente da Marvel Studios) para concatenar todas as possibilidades midiáticas de um cardápio finíssimo de propriedades que estão prontas, precisando apenas ser remodeladas para o consumo pelas novas gerações.

O Homem-Aranha, além das milhões de páginas em quadrinhos produzidas desde a década de 1960, teve seis filmes produzidos nos últimos 15 anos. Agora imagine todas aquelas novelas urbanas, rurais e até mesmo de época, dividindo a mesma linha narrativa.

O "Globoverso" pode ser o maior feito do entretenimento nacional. A cada temporada, novas aventuras de Bibi Perigosa, Tieta, Roque Santeiro, Natasha de "Vamp" e Tufão. Histórias entrelaçadas, abrindo um leque quase infinito de possibilidades.

Em vez de contar com a capacidade de seu banco de talentos para criar tramas totalmente originais, a Globo deveria abraçar com mais força a tendência mundial das reinterpretações. Mas indo além do mero remake, construindo uma narrativa que possa ser visitada por muitas gerações ao longo dos próximos anos.

Divulgaçaõ/TV Globo
Natasha: Usa salto quinze e saia de borracha Imagem: Divulgaçaõ/TV Globo

Juba e Lula encarando muitas confusões longe da praia na Greenville de "A Indomada", o Comendador de "Império" mordido por Natasha de "Vamp", o Pescador Parrudo de "Kubanacan" viajando no tempo para desafiar Jean-Pierre em nome do amor de Aline de "Que Rei Sou Eu?".

Sem contar que poderíamos ter uma coisa que o cinema americano faz muito bem: o desenvolvimento do legado. De tempos em tempos, somos atraídos para discussões sobre quem será o próximo James Bond. "Gabriela" passou por isso: se Sônia Braga era nosso Sean Connery brejeiro, Juliana Paes deu vida a uma interpretação sexy e truculenta como Daniel Craig. Seria a glória ver essa passagem de bastão fazer parte da nossa cultura de maneira mais estruturada e recorrente.

A Globo sabe que detém importante capital nostálgico da cultura brasileira. Não basta usá-lo para comover o público que já é cativo. Estamos falando de obras e conceitos que podem ser remodelados para virar a cabeça de quem não está consumindo o conteúdo da emissora. Os pais que gastam dinheiro para levar os filhos nas novas aventuras de seus heróis de infância no cinema apontam um caminho luminoso.

Nos resta aguardar por novidades diretamente dos Estúdios Globo em Curicica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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