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Chico Barney

Trailer revela como são criados os nomes de operações da Polícia Federal

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Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

13/07/2017 04h00

Saiu novo trailer de "Polícia Federal: A Lei é Para Todos - Os Bastidores da Operação Lava Jato". Minha alegria foi tão grande quanto o título dessa pepita cinematográfica.

Começamos com uma perseguição digna de um videoclipe do LS Jack, seguida por tiro de escopeta em carro dirigido por galã de novela das 7. Aparece o letreiro: "Você sabia que a Operação Lava Jato começou assim?"

Confesso que nunca comprei muito a ideia de que Sergio Moro é nosso Elliot Ness em uma versão tropical de "Os Intocáveis", mas não sabia que as referências iniciais eram tão piores.

Corta para o mesmo galã encontrando dinheiro dentro de potes de palmito na caçamba de um caminhão. Parece o tipo de coisa que Regina Casé exibiria em alguma reportagem na Feira de Acari.

Depois da prisão do que parece ser Alberto Youssef, vamos direto para o escritório de Flávia Alessandra, que está focada em uma reconhecida prioridade da Polícia Federal. "Que nome eu boto? O cara lava dinheiro, tem posto de gasolina...".

Fazendo expressões que remetem a um insight valioso, assistimos a Flávia Alessandra digitar "Lava Jato" no campo "Operação" de algum software fascinante da Polícia Federal. Eureka! E assim o cinema brasileiro mostra pela primeira vez como são criados os nomes das operações que encantam a sociedade.

Mas segure o fôlego. Um novo letreiro aparece: "Eles montaram a maior operação anticorrupção do mundo."

Roney Facchini, o insuspeito ator de "Rá-Tim-Bum" e apresentador do saudoso Telecurso 2000, é Paulo Roberto Costa. Primeiro somos apresentados ao contexto do personagem. "O cara foi diretor da Petrobrás e hoje tem uma consultoria", revelam os policiais amontoados na frente de um computador.

E logo vemos o sujeito sendo preso pela rapaziada da Federal. Como se fosse um vilão recém-descoberto pela turma do Scooby-Doo, Paulo Roberto se exalta: "Vocês não têm ideia com quem cês tão se metendo!"

Com um clichê dessa envergadura, é natural que Flávia Alessandra fique insegura: "Você acha mesmo que dessa vez vai ser completamente diferente?"

Ao passo que Antonio Calloni, mais conhecido nos cinemas brasileiros como a voz do gato Garfield, tenta tranquilizar a colega: "A gente não vai mudar o Brasil, mas alguma coisa a gente sempre faz!".

Reprodução
Imagem: Reprodução

Na cena seguinte vemos novamente Flávia Alessandra. Por mim, tudo bem. E dessa vez ela está falando ao telefone. "A gente conseguiu tudo, Júlio. As contas da família na Suíça, 23 milhõeshhh de duólareshhh."

A comemoração da advogada interpretada pela atriz é o gancho para prestigiarmos a delação que deu origem ao filme. Para não sobrarem dúvidas, Paulo Roberto faz cara de cansado e pergunta: "Querem que eu comece por onde?"

E Rainier Cadete, na pele de uma versão genérica de Deltan Dallagnol, o midas do PowerPoint, exclama: "Pelo começo!"

Então caso um telespectador mais desatento ainda não tivesse captado o clima geral, esse diálogo tirou qualquer dúvida. Trata-se de um Operação Lava Jato Begins, OK?

Mas é claro que o trailer continua segurando em nossas mãos, como se fossemos velhinhas cegas atravessando a rua.

O resignado Garfield do Projac está agora concedendo uma entrevista coletiva e entrega com orgulho mais alguns números descobertos pela famigerada força-tarefa. "Estamos falando de 7 empresas que só com a Petrobrás tem em torno de 59 bilhões de reais em contratos."

"59 milhões de reais?", pergunta um confuso repórter, provavelmente decepcionado por ter saído de casa para lidar com esse tipo de mixaria. "Bi. 59 bilhões de reais", tranquiliza novamente o terapêutico Calloni.

Se você cancelou a Globo News durante a última crise, talvez só agora tenha entendido a grandiosidade dos valores investigados pela Lava Jato. Mas é frustrante notar que o trailer parece ser sobre a operação em si, e não de um filme a respeito dela.

O trecho posterior chama a atenção para as semelhanças entre os mocinhos do filme e os X-Men. Assim como os mutantes da Marvel, os amigos de Sergio Moro surgem "temidos e odiados pelo Brasil que juraram proteger". A opinião pública é uma pedra no sapato dos nossos salvadores.

Calloni é novamente interpelado por um repórter impertinente. "Por que vocês estão tentando destruir o PT?". A resposta emociona: "A gente não tá investigando um partido. A gente investiga os fatos, não as pessoas."

Divulgação
Pôster de "Polícia Federal - A Lei É para Todos" Imagem: Divulgação

O trailer poderia terminar aí e estaríamos todos terrivelmente satisfeitos. Mas tem mais.

"Vocês tão sendo seletivos!", reclama o pai de um dos policiais. É a oportunidade de ouro para conhecermos um comunista arrependido. "Seletivos? Pelo amor de Deus, pai! Quem cai na nossa mão é investigado. Até parece que eu não votei neles também. Eu fiz campanha, esqueceu?"

Um último letreiro ainda surge: "A Operação Lava Jato como você nunca viu." Imagino que seja uma promessa válida apenas para quem esteve sem acesso à internet ou à TV a cabo nos últimos anos.

E finalmente temos a impactante cena de encerramento, com Youssef delatando o que parece ser o grande vilão da inevitável trilogia. "Veja bem. O planalto... o planalto sabia de tudo."

Senti falta da sequência com uma foto do Ary Fontoura, intérprete do Lula, com um filtro vermelho feito o inferno.

"Polícia Federal: A Lei é Para Todos - Os Bastidores da Operação Lava Jato" estreia no dia 7 de setembro, para que seus familiares possam dizer que "é uma data muito oportuna".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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