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Chico Barney

"Okja": Netflix não quer nossos filhos comendo carne?

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"Cowspiracy" para a juventude Imagem: Reprodução
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Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

04/07/2017 11h56

Esqueça qualquer denúncia da Operação Carne Fraca ou alguma delação pra lá de premiada: "Okja" pretende ser a mais convincente argumentação contra a indústria de alimentos em 2017.

A fábula vegana da Netflix é o que aconteceria se algum filme denunciando maus tratos a animais fosse produzido pelo canal Discovery Kids. E isso não é necessariamente ruim, pelo menos se você tiver a idade certa para digerir tais referências.

Tudo começa quando Lucy Mirando, plutocrata com sérios problemas de autoestima, cria uma raça de superporcos sob o pretexto de acabar com a fome mundial. E logo lança um torneio entre fazendeiros do mundo todo: quem criar o mais saudável animal ao longo de dez anos ganhará a disputa.

Eis que a neta de um dos competidores acaba ficando muito ligada à sua portentosa bisteca: Okja é uma porca dócil e companheira, do tamanho de um rinoceronte e com o carisma de um labrador. Crescendo juntas em uma Coreia do Sul idílica, menina e suína desenvolvem importantes laços afetivos.

O roteiro apresenta um mundo sem nuances ou tons de cinza, manobra deveras adequada aos dias de hoje. Existe o mal absoluto, com a crueldade a serviço do dinheiro, e a pureza da resposta das crianças.

Se a história não sai do rasinho, os atores vão fundo no deboche para distrair a audiência. Tilda Swinton e Jake Gyllenhaal, especialmente, parecem personagens de algum quadro cancelado do "Zorra Total".

Uma das motivações para os atores exagerarem nas tintas é disfarçar a precariedade dos efeitos especiais. Com Gyllenhaal emulando o pior Ace Ventura de todos os tempos e Swinton agindo como se estivesse ensaiando para um espetáculo da Deborah Colker, fica até difícil se incomodar com a tosquice dos porcões animados em 3D.

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Margot Tenenbaum feelings Imagem: Reprodução

A exibição nas telonas do cinema seria um tanto deprimente, provando ser um acerto a distribuição exclusiva pela internet. Dica: não deixe seu filho assistir no iPad, procure algum device com a tela ainda menor. E sob hipótese nenhuma invista seu plano de dados nisso.

Independentemente da sua dieta, trata-se de uma opção das mais indigestas no sempre recomendável cardápio da Netflix.

SERVIÇO

"Okja", de Joon-Ho Bong
Longa-metragem já disponível na Netflix
Cotação: meia panceta, de um superlombinho possível

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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