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Chico Barney

"House of Cards" é a "Família Addams" na Casa Branca

Divulgação/Netflix
Frank Underwood (Kevin Spacey) em cena da quinta temporada de "House of Cards" Imagem: Divulgação/Netflix
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Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

12/06/2017 17h09

A quinta temporada de House of Cards é tão cínica e rocambolesca que ficou parecendo uma paródia da própria série.

Depois de todos os absurdos que vimos até aqui, parecia difícil encontrar narrativa que pudesse fazer a audiência continuar levando o programa a sério. É o problema enfrentado por quase toda trama envolvendo a política norte-americana pós-Jack Bauer. Seja em 24 Horas ou Homeland, tem um momento em que a sucessão de eventos espetaculares para de fazer qualquer sentido em um cenário realista que o público consiga se relacionar.

Ao abraçar com muito carinho o absurdo, a série deixa de ser aquela fascinante espiada pela fechadura dos meandros políticos e se consolida como o que seria uma versão da Família Addams executada por Christopher Nolan.

O casal Underwood e seus asseclas se comportam como monstrengos sem alma, dispostos a tomar as decisões mais maléficas por motivos que não vão além de uma insondável satisfação gótica. Tudo atualizado para um realismo nada fantástico, típico do diretor de Batman Begins e outras bobagens que se levam mais a sério do que deveriam.

No presente documento, ofereço ao amigo leitor um abrangente panorama a respeito da nova temporada de House of Cards.

FEIRA DA FRUTA

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O canalhocrata Frank Underwood está de volta mais afetado do que nunca, a ponto de parecer um vilão do antigo seriado do Batman. Suas maquinações de bastidor deixam de lado qualquer sutileza do universo construído nas temporadas anteriores para ganharem contornos de planos infalíveis do Cebolinha.

O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA

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Os longos silêncios de Claire Underwood, interrompidos eventualmente pelo característico tom monocórdio e sua belíssima cara de bunda, dessa vez não conseguem imprimir qualquer interpretação mais profunda e parecem puro pastiche. A relação da Mortícia Loira com o escritor xarope Thomas Yates é um dos pontos negativos da temporada. Acompanhamos a repetição de situações enfadonhas que servem apenas para Claire tomar, no último episódio, o xeque-mate mais chinfrim da história do xadrez psiquiátrico de House of Cards.

CAPACHÃO

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Douglas Stamper, o Tropeço da Casa Branca,ficou mais engraçado do que deveria graças a sua retidão de falta de caráter. A paixão cega pelo chefinho, os acessos de raiva e as poucas palavras transformaram o personagem em um Tonho da Lua que prefere destruir as mulheres de areia.

"UM GRANDE ACORDO NACIONAL"

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Jane Davis e Mark Usher são os dois personagens mais curiosos a ganhar destaque esse ano. Formam uma espécie de PMDB americano, agindo nos bastidores e visando a perpetuação no poder sem maiores preocupações sobre o que vão dizer deles por aí. Como brinde, Jane Davis é muito parecida fisicamente com a vovó Addams - e faz o possível para construir uma relação maternal com Claire.

GRATIDÃO

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Muito embora seja fã de Arrested Development e tenha plena ciência de que foi uma grande sacada fazer novos episódios de Gilmore Girls, o melhor retorno promovido pela Netflix atende pelo nome de Neve Campbell. Cada vez mais exuberante, a atriz consegue passar dignidade em momentos particularmente cretinos - a começar pela cena de sedução com Doug Stamper.

NINGUÉM ESQUECE KATE MARA

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Tom Hammerschmidt e a turminha do The Washington Herald só não podem ser comparados ao desenho do Scooby-Doo porque provavelmente deixariam o cachorro morrer de fome. O assassinato de Zoe Barnes está há tanto tempo na pauta que mais um pouco e Tom já pode fazer um pitch de documentário para a própria Netflix.

‘A CULPA NÃO É MINHA, EU VOTEI NO CONWAY’

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A ascensão e queda de Will Conway, antagonista de Francis Underwood nas eleições, é o ‘roteirismo‘ mais safado de toda a série. A forma como o governador perde as estribeiras por conta de um trauma de guerra tirado da cartola, além do surgimento de uma personalidade irascível depois de ficar uns dias sem dormir direito, constituem o ponto mais baixo da criatividade dos talentosos responsáveis pelo programa. Ainda assim, a metade da temporada focada no tema é a mais movimentada e divertida.

Mas não se deixem levar pela gravidade de minhas palavras. House of Cards continua um entretenimento daqueles. Vem perdendo a integridade com o passar dos anos, sem dúvida, mas é justamente o que dizem ser a mais cruel e inevitável consequência da política.

SERVIÇO
House of Cards - 5a Temporada
13 episódios já disponíveis na Netflix
Cotação: 4 votos no TSE, de 7 possíveis

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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