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Chico Barney

Fãs "profissionais" alavancam sucesso de Anitta no exterior

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Cena do clipe de "Paradinha" Imagem: Reprodução
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Chico Barney

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Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

05/06/2017 12h23

A série “The Keepers” é mais um documentário produzido pela Netflix a respeito de um crime mal resolvido. A vítima nesse caso é uma freira assassinada há quase 50 anos em Baltimore, nos Estados Unidos.

Além das costumeiras reviravoltas que deixam a vida real ainda mais fascinante que qualquer boa intenção das ficções, é curioso notar que as principais investigadoras do caso são duas ex-alunas da falecida. Engajadas pela devoção que tinham pela professora, transformaram o caso sem solução em um curioso hobby.

Uma das principais ferramentas utilizadas pela dupla é um grupo no Facebook onde familiares, ex-colegas, moradores da região e entusiastas do caso trocam informações e opiniões sobre o que teria acontecido naquela misteriosa noite de 1969.

A internet tem sido uma ponte para reunir apreciadores de temas em comum. Quem acompanha o programa Big Brother Brasil sabe o tamanho do impacto que um grupo mais obcecado de fãs pode alcançar. Como o número de votos por pessoa é ilimitado, não é necessariamente a pessoa mais popular quem vence - mas a que consegue comover mais a parcela particularmente maníaca da audiência.

Nunca os fãs tiveram tanto poder. Conseguem se organizar para tentar solucionar um crime de décadas atrás ou simplesmente transformar pessoas comuns em milionários, então é de imaginar o que podem fazer por uma cantora talentosa tentando emplacar carreira internacional.

Anitta está cuidadosamente preparando terreno para ganhar o mundo. Além da dedicação para os negócios, tem se beneficiado de “fadas mágicas” que trabalham pela causa mesmo enquanto ela dorme.

Cientes da importância das métricas em sites como o YouTube ou aplicativos como o Spotify, os fã-clubes se organizam em mutirões para inflar a relevância da artista fora do Brasil.

A “Central Anitta” preparou um hotsite com tutoriais ensinando a hackear não só as plataformas digitais, mas também as rádios. "Chegou a hora de ajudarmos no desempenho da música na Billboard Hot 100 e outros charts oficiais americanos", diz um dos textos.

A estratégia consiste em usar aplicativos para mascarar o endereço dos fãs, fazendo com que o sistema entenda que eles estão nos Estados Unidos. É dessa forma que os algoritmos passam a acreditar que a música está bombando por lá, ganhando mais exposição na internet e também mais atenção da mídia como um todo.

Tudo funciona como se fosse uma operação de afiliados onde o valor não está na grana, que só vai para o bolso dos artistas, mas na satisfação de fazer parte desse culto.

Anitta construiu em poucos anos um público cativo no Brasil. Com um núcleo tão bem organizado e engajado, é de esperar que sua carreira internacional alcance o topo bem antes da resolução para o caso da freira de Baltimore.

Se o amigo leitor estiver de bobeira ou com a vida ganha, aproveite para aprender a colaborar com o sucesso internacional de Anitta. Visite o hotsite que a Central Anitta preparou para a música “Paradinha”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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