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Chico Barney

Na mira da Lava Jato, ex-presidente Lula vira mangá

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Chico Barney

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Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

31/05/2017 13h40

Em um período anterior ao surgimento das redes sociais, a medida do sucesso das celebridades brasileiras não era a quantidade de seguidores ou likes, mas a capacidade de lançar gibis nas bancas.

Dentre as personalidades da TV, prestigiamos longevas séries em quadrinhos protagonizadas por Xuxa, Faustão, Gugu, Fofão, TV Colosso e até Sérgio Mallandro.

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Capas dos gibis do Faustão e Sergio Mallandro Imagem: Divulgação
Muitos astros da música também tiveram a satisfação de viver aventuras impressas no papel jornal, em um line-up eclético o suficiente para reunir Leandro & Leonardo, New Kids on the Block e Tiririca.

Foi o material que formou a mente da valorosa geração que hoje é parte importante da força de trabalho nacional. O que provavelmente ajuda a explicar toda essa situação.

Com o tempo, a capacidade de tal filão se sustentar editorialmente acabou minguando. A produção local de quadrinhos também perdeu força ao longo dos anos, chegando a um ponto em que temos apenas produções do estúdio Mauricio de Sousa nas bancas - além das revistas abordando temas como diabetes e dores de coluna.

Venho frisando que a política é o mais relevante nicho do entretenimento deste país. Se nossas novelas já não engajam como outrora, são as narrativas de Brasília e adjacências que estão comovendo a nação.

Se os poderosos burocratas e tomadores de decisão estão no centro dos holofotes, é justo que sejam eles os responsáveis pela retomada das historinhas baseados em celebridades do momento. Até pelo fato de já estamparem todas as outras revistas ainda em publicação.

Eis que uma louvável iniciativa no Facebook está contando a saga de Luiz Inácio Lula da Silva no formato de mangá, os populares quadrinhos japoneses.

É até curioso que alguém tão propenso a universos ficcionais como o Lula tenha demorado todo esse tempo para virar personagem de gibi. Suas características mais marcantes, quase caricatas, são um convite para imaginá-lo como um inimigo demasiadamente humano do Homem-Aranha, ou um colega da Luluzinha facilitando a reforma no Clube do Bolinha. Já pensou o herói do povo brasileiro lutando para afiliar Cebolinha e Cascão a um sindicato contra a opressão da Mônica? “Gleve” no bairro do Limoeiro!

Mas “Rura, o espadachim de 9 dedos” é um épico que apresenta a história em formato de folhetim. Os criadores vão publicando páginas avulsas ao longo das semanas - 11 estavam online até o fechamento desta edição.

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Diruma avista a filha Rura Imagem: Divulgação
A aventura começa quando Diruma, filha de Rura, avista uma bicicleta e resolve dar uma pedalada. Alertada sobre os perigos do ato pelo progenitor, a jovem age sem cautela e é interceptada pelo grande antagonista Moru - provável referência a um certo juiz de Curitiba.

É possível perceber passagens sobre José Dirceu, Movimento Brasil Livre e até Jair Bolsonaro, representado pelo espadachim Boru Sonaru em busca da “adaga de grafeno”.

Apesar da reprovável decisão de usar os nomes dos personagens para rir da forma como os orientais imigrantes se expressam, é gratificante ler um material que usa de maneira tão criativa elementos da deprimente vida política que tanto nos faz lamentar diariamente.

E muito embora a leitura de mangás deva ser realizada da direita para a esquerda, outro ponto positivo é o fato dos autores não usarem como objeto de escárnio apenas um lado do espectro ideológico. Todos são ridicularizados em suas medidas mais óbvias e indeléveis, para a satisfação geral de uma nação que faria bem ao parar de se portar como torcida organizada.

Se as últimas ocorrências da política brasileira pareciam não estar no gibi, bom, talvez agora estejam.

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Jair Bolsonaro, representado pelo espadachim Boru Sonaru Imagem: Divulgação

Clique aqui para acompanhar o “Rura” no Facebook.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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