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Chico Barney

Prefeitura de São Paulo é palco para reality show de João Doria

Nacho Doce/Reuters
O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), mexe no ar condicionado ao dar entrevista à Reuters Imagem: Nacho Doce/Reuters
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Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

24/04/2017 04h00

Hunther Thompson popularizou um estilo de jornalismo conhecido como gonzo. Trata-se da fina arte em que o repórter torna-se figura ativa na reportagem. João Doria Jr, o prefeito de São Paulo, vem popularizando um método que é o inverso: ele é o objeto jornalístico fazendo o possível para virar repórter.

Doria subverteu as regras da propaganda política ao sair do estúdio e dos discursos ensaiados e publicar a rotina da campanha no Facebook, com uma estética mais próxima do real. Experiente comunicador com mais de 20 anos de televisão, foi eleito em primeiro turno --e, assim, renovado para uma nova temporada.

Há quem diga que Doria continua em campanha política durante o exercício do cargo, e seu nome tem aparecido com certa proeminência na corrida presidencial de 2018. Mas uma coisa é inegável: que curioso entretenimento tem sido acompanhar essa jornada.

A extensa agenda de ações de marketing mobiliza não só suas redes, mas também pauta a imprensa regional. Independente de qualquer posicionamento no espectro político, urge reconhecer que o trabalho realizado para gerar factóides e prender a atenção da audiência é brilhante. João Doria conseguiu transformar propaganda política em conteúdo.

Depois de conquistar uma aura quase folclórica com sua fantasia de gari e a briga com pichadores, o burgomestre de São Paulo embarcou em uma lisérgica sequência de eventos na semana passada. Arrisco que chegou a ser mais animado que a recente edição do "BBB17".

Episódio 1: Soninha

A trifeta campeã começou com o que parecia uma cena mal ensaiada da série "The Office": Doria chamou Soninha para gravar um vídeo e anunciar aos paulistanos que a ex-VJ da MTV havia acabado de ser demitida da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social.

São quase 3 minutos de uma dor quase palpável. O constrangimento foi geral e tanto o vídeo quanto a notícia se espalharam rapidamente.

Mesmo a repercussão negativa do caso na imprensa, com Soninha demonstrando sua frustração em entrevistas, como faz qualquer pessoa eliminada de um reality show, logo foi dissipada.

Episódio 2: Papa

Dória surgiu no dia seguinte avisando que estava indo se encontrar com o Papa. Você pode até me perguntar por qual motivo prefeito de São Paulo sairia de qualquer lugar para trocar uma ideia com o Papa. Tanto faz: foi diversão para a família inteira.

O prefeito capturou o espírito da sua época. Hoje existe uma enorme quantidade de youtubers que chamam convidados para participarem de seus vídeos e, juntos, alavancam suas audiências. Chamam isso de "fazer uma collab".

Pois João Trabalhador foi até o Vaticano fazer uma collab com o Papa. Não sei quantos cristãos novos o grande Jorge Mario Bergoglio conseguiu para a Igreja, mas tenho certeza de que Dória cooptou alguns novos corações com a empreitada.

Episódio 3: Garota de Ipanema

E o que fecha a semana psicodélica do prefeito é a surreal entrevista que ele conduziu com Helô Pinheiro, a eterna Garota de Ipanema.

"Olho no Olho" tem como cerne do seu formato um bate-papo animado entre Doria e algum grande amigo ou apoiador. É tudo muito parecido com o "Showbusiness", programa que ele apresentou com desenvoltura durante muitos anos nas madrugadas da TV aberta.

Mas existe uma diferença fundamental: o convidado ali está apenas para servir de escada enquanto o prefeito levanta várias bolas para si mesmo.

Confesso que foi um barato descobrir nessa atração que a eterna musa de Tom & Vinícius mora em São Paulo desde os anos 1980. Absorvi várias informações de almanaque enquanto o prefeito respondia dúvidas da população. Que conceito!

Podemos dizer que Fernando Haddad era o prefeito indie: um sucesso de crítica, mas fracasso de público. Doria tem se mostrado um prefeito blockbuster: é bem produzido, barulhento e nem sempre faz sentido, mas tem muita gente pagando pra ver.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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