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Chico Barney

Belo firma-se como sucessor de Roberto Carlos

Renato Ribeiro Silva/Futura Press/Folhapress
Cantor Belo durante show na Virada Cultural de São Paulo de 2015 Imagem: Renato Ribeiro Silva/Futura Press/Folhapress
Reprodução
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

17/04/2017 04h00

Marcelo Pires Vieira, o crooner popularmente conhecido como Belo, lançou música nova na semana passada. “Você e Eu” é uma prévia de seu 17º disco solo em 17 anos.

Identificado com o pagode desde os tempos de Soweto, ainda durante os intensos anos 1990, o artista vem desenvolvendo consistente carreira como cantor romântico de apelo popular cada vez mais abrangente.

O novo hit ostenta uma moderna levada eletrônica, fazendo da balada uma das adições mais curiosas de sua extensa discografia. O único elemento que remete ao ritmo que consagrou Belo é a própria voz do cantor.

Há duas décadas cantando variações sobre o mesmo tema, Belo é plenamente credenciado para ocupar o espaço de Roberto Carlos no inconsciente popular. Alguém tão familiar quanto pitoresco em todas as suas idiossincrasias.

Muitos já ousaram tentar tomar o trono do Rei, mas jamais lograram sucesso durante muito tempo. Revelaram-se modismos tão passageiros quanto o sereismo.

Fábio Jr foi incensado como um artista multifacetado e de eloquente identidade popular. Mas hoje é mais lembrado como o pai de boa parte do elenco da Rede Globo.

Maurício Mattar também fez o possível para se colocar no mercado como o grande bardo romântico dos anos 90. Com uma carreira irregular, hoje anuncia batata frita em impensáveis virais da internet.

Até Paulo Ricardo tentou pagar as contas enveredando pelo romance de resultado. Não conseguiu muito mais do que ser trilha de novela no SBT.

Não existe outro cantor mais merecedor do olimpo da música extremamente popular brasileira do que Belo. Reuni abaixo algumas evidências de que ele e Roberto Carlos possuem semelhanças que merecem ser observadas.

1. CONSISTÊNCIA

O ávido consumidor de cultura popular conta com três presenças certeiras em seu calendário anual: um novo filme do Woody Allen, o especial de fim de ano do Roberto Carlos e um disco novo do Belo. Mas o único que ainda se esforça para trazer novidades é o ex-vocalista do Soweto.

2. REPERTÓRIO

Ao mesmo tempo em que Belo não lança sucessos de alcance amplo e irrestrito há tempos, não há ninguém no Brasil lançando tantos hits novos ano após ano. Músicas novas do Belo são as mais tocadas em rádios populares e revezam-se a cada bimestre com uma profusão impressionante.

Já Roberto Carlos, apesar de só lançar música quando Gloria Perez estreia novela nova, ainda possui um vasto cardápio capaz de emocionar a multidões, além de sempre se beneficiar da divulgação massiva da Globo.

3. ROMANTISMO

O cantor transcendeu o pagode e hoje abraça uma fusão de ritmos, sempre com o viés romântico que caracterizou sua carreira desde o começo. O novo disco promete ser uma guinada ainda mais objetiva rumo à seara historicamente dominada por RC.

4. RELIGIOSIDADE

O estado é laico, mas nossa cultura pop é crente e temente a Deus. Roberto Carlos vendeu milhões ao lembrar Jesus Cristo que ele estava aqui. O sincrético Belo vai mais longe e canta com Marcelo Rossi algumas das músicas mais populares da última década, além de dar espaço para artistas evangélicos.

5. POLÊMICAS

Com receio da reação dos fãs em relação a eventos controversos de sua vida, Roberto Carlos deu um jeito de censurar a biografia a seu respeito. Belo também não sente muito orgulho de algumas passagens de sua trajetória, mas possui uma relação diferente com a questão. Fala abertamente sobre sua passagem pela cadeia sempre que necessário, como em um clássico episódio do Esquenta sobre o sistema prisional.

6. INTERESSE GERAL 

Por mais que a imprensa não fale muito sobre seu trabalho, a relevância do Belo junto ao público é testada diariamente em portais de notícias sobre celebridades. Sua vida íntima é um dos assuntos favoritos do Brasil desde os tempos de Viviane Araújo.

Transformado em marombeiro graças ao namoro com Gracyanne Barbosa, o cantor também é pauta toda vez que muda seu visual. Os cabelos platinados que se tornaram símbolo do pagode “mela cueca” deram espaço a cortes multiculturais ao longo dos últimos anos, de dreadlocks até o atual look de ex-BBB em busca de novos projetos.

Nossos netos olharão para as diferentes estéticas estampadas nas capas de discos do Belo com o mesmo fascínio que observamos Roberto Carlos com o cabelo desgrenhado e uma pena pendurada na orelha.

Então fica o convite: ouça a nova música do Belo e ouse discordar que o cantor é o mais significativo postulante à coroa de nossa música. Depois escreva nos comentários qual a sua opinião sobre tão palpitante tema. Voltamos a qualquer momento com novas informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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