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Chadwick Boseman: meu muito obrigada

Andreza Delgado

Andreza Delgado, baiana da terra do cacau, é uma das criadoras da Perifacon, a Comic Con da favela. Tem um canal no YouTube para resenhar séries, HQ's, filmes e livros e o game perifa, mas quando dá tempo tuíta pelos cotovelos.

Colunista do UOL

29/08/2020 18h27

Assim como geral fui pega de surpresa com a morte de Chadwick Boseman, aos 43 anos, após lutar por quatro contra um câncer. Por ironia do universo, o ator partiu no aniversário de um dos criadores do personagem Pantera Negra, Jack Kirby.

Foi um choque tão grande que eu me vi em prantos, tomada por uma tristeza e dor gigante. E eu estava totalmente consciente do porquê desse choro. Há quem acredite que chorar a morte de celebridades seja besteira, mas para mim não estava apenas me juntando com amigos para chorar por uma celebridade —o que acho totalmente legítimo. Mas eu chorava a perda de uma pessoa que se tornou parte de um legado.

Boseman assumiu o manto do primeiro filme de herói negro do MCU, o Universo Cinematográfico da Marvel. Sim, pois é preciso lembrar que "Blade", que veio antes, não se encaixa como herói e sim anti herói.

Voltando ao legado de T'Challa... fomos todos tomados por uma catarse coletiva, que não se limitou à tristeza pela perda de uma pessoa tão jovem e talentosa. A partida de Boseman gerou nas pessoas também um desejo de contar o quanto Pantera Negra foi importante para elas.

Como essa lembrança linda das crianças da Ron Clark Academy vibrando porque todos veriam um super-herói negro nos cinemas:

A biblioteca Assanta Shakur lembrou do impacto da leitura da HQ para as crianças:

A Tati contou que fez atividade usando o filme:

Aliás, não faltou gente exibindo e gerando ação social.

Bom, eu poderia ficar o dia inteiro trazendo essas histórias aqui rs?


"Pantera Negra" nem de longe é só um filme sobre super-heróis. O impacto que ele gerou vai atravessar gerações, exatamente por apresentar a possibilidade para muita gente de se ver como herói. Um dos efeitos devastadores do racismo é minar a auto estima e as possibilidades para pessoas negras. Quando assistimos Boseman brilhantemente dar vida ao personagem de Stan Lee e Jack Kirby, vibramos com as novas possibilidades para o imaginário da representatividade.


É por isso que as pessoas lotaram os cinemas, fazendo "Pantera Negra" arrecadar US$ 1,3 bilhão pelo mundo. Assim, apontaram o desejo de serem vistas e representadas no universo dos super heróis.

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Imagem: divulgação

É inevitável falar do impacto de Pantera Pegra, mas não foi só isso que Boseman nos entregou. Ele também nos presenteou com a interpretação de James Brown num filme biográfico. Em "Marshall", sua interpretação totalmente poderosa nos traz reflexões sobre o sistema judiciário e a questão racial. É quase uma ironia perder o ator no Jackie Robinson Day, que comemora a existência do primeiro jogador negro a entrar em campo pela liga de beisebol americana. Ironia porque Chadwick interpretou Jackie Robinson no filme "42".

Que a gente possa celebrar a vida de Boseman e toda a beleza que foi sua existência, para nós e principalmente para todas as pessoas negras do mundo com a possibilidade de sonhar e se verem representadas.

#wakandaforever

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.