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Adeus a Ennio Morricone, gênio da música de cinema

Ennio Morricone morreu aos 91 anos - Luca Bruno/AP Photo
Ennio Morricone morreu aos 91 anos Imagem: Luca Bruno/AP Photo
André Barcinski

André Barcinski é crítico do caderno "Ilustrada" e escreve também no caderno ?Comida?, ambos da ?Folha de S.Paulo?. É diretor e produtor do programa "O Estranho Mundo de Zé do Caixão", no Canal Brasil.

Colunista do UOL

06/07/2020 10h02

Ennio Morricone morreu aos 91 anos. Ele teve uma carreira de quase 70 anos como instrumentista e 60 anos como compositor de trilhas sonoras para cinema, TV e rádio. Nesse tempo, trabalhou em mais de 500 filmes para diretores prestigiados como Pier Paolo Pasolini, Irmãos Taviani, Terence Malick, Bernardo Bertolucci, Roland Joffé, John Carpenter, William Friedkin, Brian De Palma e, mais recentemente, Quentin Tarantino ("Os Oito Odiados").

Mas Morricone será lembrado para sempre pela música sublime que criou para três faroestes, dirigidos nos anos 1960 por um cineasta ainda prestes a se tornar famoso: Sergio Leone. Os filmes eram "Por Um Punhado de Dólares" (1964), "Por Uns Dólares a Mais" (1965) e "Três Homens em Conflito" (1966).

A música desses filmes não era um complemento à narrativa. Ela era a narrativa. Seca, minimalista e surpreendente, a música complementava com maestria a beleza árida das imagens de Leone e fazia os filmes parecerem muito mais épicos e sofisticados do que eram na realidade.

Das três, a trilha de "Três Homens em Conflito" tornou-se a mais famosa. Tão pop, na verdade, que um trecho dela, "O Delírio do Ouro" ("L'estasi dell'oro") acabou sendo usada por bandas de rock como Metallica e Ramones em seus shows (os Ramones usavam também outro trecho da trilha como introdução de seus concertos).

Dois anos depois, já com mais grana e condições, Leone filmou sua obra-prima, "Era Uma Vez no Oeste", que também contou com uma trilha sonora memorável de Morricone.

O filme tornou Morricone uma estrela no mundo todo, e ele começou a receber convites de diretores e europeus e norte-americanos. Hollywood bateu à sua porta, e logo o compositor estava trabalhando em dez ou quinze trilhas ao mesmo tempo.

Mas a fama e o dinheiro não mudaram seu jeito de ser: Morricone nunca abandonou Roma, nunca aprendeu a falar inglês e, acredite, só foi conhecer os Estados Unidos em 2007. Trabalhava, obsessivamente, em sua mansão em Roma, onde mantinha um estúdio de gravação. Quem quisesse trabalhar com ele, que o procurasse em casa.

Nesses 60 anos, Ennio Morricone vendeu cerca de 70 milhões de discos de suas trilhas sonoras. Foi, certamente, o mais pop dos compositores de cinema. E um dos mais importantes.

Obs.: Devido à importância de Morricone, adiantei o texto de amanhã. O blog volta na terça que vem.

Uma ótima semana a todos.

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André Barcinski