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Do cativeiro ao estrelato: como Naja que picou estudante virou celebridade

Ivan Mattos/Zoológico de Brasília
Imagem: Ivan Mattos/Zoológico de Brasília
Aline Ramos

Aline Ramos é jornalista, mas tá mais pra palpiteira, por isso cria conteúdo na internet desde 2014. Você com certeza já fez algum teste dela no BuzzFeed, onde foi redatora por dois anos. É especialista em diversidade e dá consultoria para marcas em temas como raça e gênero. Mas o que ama mesmo é escrever sobre entretenimento e dar opinião sobre tudo, se bobear até sobre a sua vida.

Colunista do UOL

12/07/2020 14h19

Assim que saiu na imprensa a notícia de que uma cobra Naja picou um estudante de medicina veterinária, tudo fazia parecer que era apenas mais um caso de uma cobra venenosa atacando uma vítima.

Porém, logo chegaram mais informações. E o jogo virou para a Naja. Ela deixou de ser a vilã e passou a ser reconhecida como uma heroína injustiçada.

Quem é a verdadeira vítima?

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, mais conhecido como o estudante picado, foi parar na UTI. Uma mega operação foi feita para ele se recuperar. O Instituto Butantan, de São Paulo, mandou para Brasília, onde está internado, a única dose de soro antiofídico que tinha disponível. Depois, a família dele importou mais dez doses dos Estados Unidos. Com isso, o picado saiu da UTI e está acordado.

Todo esse trabalho que o bonito deu é porque o antídoto para a picada da cobra Naja não é produzido no Brasil. Sabe o motivo? Não existem Najas no Brasil. Ou não deveriam existir. Ou seja, nem era para a Naja estar aqui.

Posso apostar que a cobra não veio para Brasília por vontade própria, e muito menos rastejando. Imagina o trampo que seria rastejar de algum país da África ou do Sul da Ásia até o Brasil? Nem tem caminho de terra para isso.

E o picado não tinha documentos que autorizassem o porte da cobra. Ou seja, a Naja é uma estrangeira ilegal em nosso país.

Eu estou enrolando, mas vamos ser sinceros? A Naja foi traficada e vivia em cativeiro. Um animal vivendo nessas condições é vítima ou vilão?

Musa da internet

Quando muita gente entendeu a real situação da Naja, apoiou totalmente a cobra. Principalmente porque, após a picada, ela conseguiu condições de vida melhores e está vivendo no Zoológico de Brasília.

Além disso, outras cobras que supostamente pertenciam ao estudante picado foram encontradas. A história está indo tão longe que algumas pessoas decidiram entregar as cobras que tinham por conta própria. Outras estão denunciando anonimamente cativeiros clandestinos. Nesse bolo todo, até três TUBARÕES foram encontrados. Sim, TUBARÕES.

Como não exaltar um ícone que, com uma simples picada, iniciou uma revolução? E isso não sou eu dizendo. A grande entidade INTERNET está apaixonada pela Naja.

Foi criado um perfil no Twitter para ela, e os memes estão comendo solto.

Naja já se arrumou toda para um encontro de negócios com a Luísa Mell.

Fez as unhas.

Deu lições de vida.

E avisou que não veio para competir e sim para somar.

O Instituto Butantan, é claro, respondeu.

Isso é tudo o que sabemos até o momento, apenas com as informações picadas que temos. Fiquem ligados que ainda há muita coisa a ser esclarecida, e muitos cativeiros a serem arrombados.