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Fran Gil estreia bem carreira solo com bênção do avô e dueto com Passapusso

Fran Gil lança "Raiz", primeiro álbum solo - Divulgação
Fran Gil lança "Raiz", primeiro álbum solo Imagem: Divulgação
Adriana de Barros

Colunista de Música do UOL, onde atuou 20 anos na área de Entretenimento, com coordenação de coberturas em grandes festivais e do Carnaval. É curadora do edital 2020 Natura Musical e integrou o Superjúri 2019 do Prêmio Multishow. Eleita uma das cinco melhores jornalistas musicais do Brasil pelo WME Awards by Music2. Apresentadora do podcast Fala Zé na rádio Energia 97 ao lado de Zé Antônio Constantino e Hélio Cosmo Leite.

Colunista do UOL

10/01/2020 07h00

Fran Gil. É esse o nome artístico adotado por Francisco Gil, filho único de Preta e neto de Gilberto Gil, para essa nova fase de sua carreira. Fran chega hoje (10) com "Raiz", seu primeiro álbum solo às plataformas de música. Paralelamente, o músico dá sequência ao projeto "Os Gilsons", que mantém com o tio José Gil e com o primo João Gil.

Produzido pelo trio Pablo Bispo, Ruxell e Sergio Santos, "Raiz" reúne nove faixas e conta com as participações de Caetano Veloso em "Divino Amor", do avô Gilberto Gil em "Afro-Futurista" e do vocalista do Baiana System Russo Passapusso na faixa-título.

Foi a partir desse encontro com Passapusso que Fran deu forma ao que viria a ser o álbum. "Raiz" foi o ponto de partida para a temática do álbum que homenageia os orixás com batuques afros e traz o frescor da baianidade cantada pelo avô. "Sempre tive o grupo [Baiana System] como uma referência. A música que fiz com o Russo não só me trouxe a sonoridade do álbum como trouxe o assunto que eu gostaria de falar", conta Fran.

Em nosso papo pelo telefone, o músico falou também com grande empolgação sobre a viagem que fez pela África. Abaixo destaco trechos da nossa conversa.

Agora é Fran
Sempre fui Fran. Como é uma nova jornada, os meninos que trabalharam comigo levantaram essa bola de usar o meu nome dessa maneira. Sempre foi automático todo mundo me chamar de Fran e pra mim fez todo sentido. Nunca me chamaram de Chico, por exemplo. Então Fran caiu perfeitamente.

Raiz
A espiritualidade está muito forte no meu disco. Passei muito tempo refletindo sobre o que eu gostaria de fazer e foi na virada do ano de 2018/2019 que tudo começou. Foi a partir da música que fiz com o Russo [vocalista do Baiana System]. Essa música deu o start da coisa toda. Não só a que deu a sonoridade sobre o que eu gostaria de falar. Veio por meio da minha espiritualidade e fecha falando sobre a africanidade. Sempre fui uma pessoa que viveu a espiritualidade e hoje estou mais próximo ao candomblé. Os orixás fazem parte da minha vida. Neles, encontrei a minha a linha.

Capa do disco "Raiz" - Divulgação
Capa do disco "Raiz"
Imagem: Divulgação
O disco
Eu estava no Rèveillon de 2018 em Salvador e o verão de lá é uma festa. Na casa do meu avô chega sempre um bando de gente. Eu estava tocando e o Russo chegou. Ele sentou ao meu lado e parou pra me escutar. Passamos o dia todo conversando sobre espiritualidade e política. E desse encontro que passamos falar sobre essa vivência. Foi assim que surgiu a primeira canção do álbum. Cheguei no Rio dias depois e a mágica continuou. Foi lá que fechamos o laço para fazer esse disco. Passamos 20 dias imersos no estúdio. Desse dias surgiram 20 canções.

Caetano Veloso, Gilberto Gil e Russo Passapusso
O convite pro Caetano pintou antes do convite pro meu avô. Assim que escrevemos "Divino Amor" achamos a cara dele. Ele ainda não tinha me visto cantar depois de adulto, mas mostramos a música e ele disse: "amei, vamos gravar". No dia da gravação foi uma alegria. Ele ficou amarradão. Depois surgiu o convite para o meu avô e gravamos juntos "Afro-Futurista".

Viagem pela África
Com o disco 100% finalizado, minha mãe fez uma conexão muito forte quando meu avô fez Refavela. Foi em uma viagem dele pela Nigéria que surgiu o disco do meu avô. Minha mãe veio com isso e eu fui pra África atrás dessa ancestralidade. Eu tinha também o desejo de ir pra Nigéria, mas começaram rolar uns atentados e entendemos que Angola teria uma conexão bonita, mas que só fomos entender quando estávamos lá. Ligamos para a Titica [cantora angolana] e ela indicou as pessoas para viajar com a gente. A gente tinha uma preocupação de como a gente ia se inserir, mas foi uma experiência além das nossas expectativas. Cantei para crianças, fiz shows em comunidades e está tudo no clipe da canção "Coração Tambor", que abre o disco. A minha favorita. Ficamos lá quase 30 dias. Depois fomos para Namíbia porque tem um deserto. O clipe da música "Raiz", que fizemos lá, vai ser lançado daqui um mês. Essa viagem teve um impacto muito grande pra gente, assim como teve a Nigéria pro meu avô.

Família de artistas
A música é uma ferramenta de perpetuação da ancestralidade. Esse disco tem muitas conexões, por exemplo, foi meu avô que falou pro Pepeu tocar e o Pedro Baby, filho do Pepeu, que me ensinou a tocar violão e produziu meu disco com a Sinara.
Desde sempre enxerguei como algo super positivo ter uma família de artistas. É um privilégio ter essas pessoas por perto. A comparação nunca foi algo que me preocupou. Seguimos o nosso caminho, a nossa verdade. Existe, sim, uma questão de hereditariedade, mas tem a individualidade. O mais bacana da nossa família é a individualidade de cada ser, principalmente vinda do meu avô. Ele sempre respeitou a individualidade de cada um. Ele segue sendo uma referência para todas essas pessoas. Temos esse caldeirão de referências para despertar a nossa própria verdade.

Shows
É um ano bem louco em nossa família. Teremos a turnê da família pela Europa, tem a agenda d'Os Gilsons e agora vou encaixar isso tudo. Vou trabalhar bastante. Estou ensaiando com uma banda pra rodar com este álbum. A intenção é ir o mais longe possível.

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Adriana de Barros