Topo

Coluna

Adriana de Barros


Zélia Duncan lança disco como "antídoto" a turbulência dos dias atuais

Roberto Setton
Imagem: Roberto Setton
Adriana de Barros

Adriana trabalha no UOL desde 2000, passou pelas rádios Mix FM, 97Rock e pela gravadora Sony Music.

2019-06-06T07:00:00

06/06/2019 07h00

"Tudo é Um", novo trabalho autoral de Zélia Duncan, acaba de ser lançado. Produzido por Christiaan Oyens, o álbum reúne parcerias com Chico Cesar, Zeca Baleiro, Dani Black, Fred Martins, Dimitri BR, Moska e Oyens

Nele, a cantora olha para o início de sua carreira e reúne 11 faixas que remetem ao pop folk de quando tudo começou. Um disco repleto de delicadeza, que exalta a calmaria, leveza e todos elementos que fogem dos momentos turbulentos vividos nos dias atuais.

Enviei algumas perguntas para a cantora baseada nas frases de cinco faixas do álbum e também sobre sua vida ativa nas redes sociais. Leia abaixo:

Adriana: Pra você, qual é a receita pra não sofrer? - De "Canção de Amigo", cuja letra foi inspirada em três amigas que Zélia tem Brasília, dos tempos de colégio. Sempre que a cantora está por lá, elas dão um jeito de se encontrar.
ZD: Na música a receita é aceitar a imperfeição e gostar de ser quem se é! Nisso eu acredito muito. E um amigo por perto, sempre ajuda a manter a lucidez!

Quando você pede calma e bota a alma pra pensar? - De "Feliz Caminhar" feita com seu parceiro das antigas, o cantor Moska. Ele é coautor da música e as cordas foram gravadas na Rússia.
Isso é mais um desejo do que algo que eu realmente consiga realizar sempre, mas garanto que quando a raiva ou a irritação atuam, o melhor é tentar respirar e compreender do que se trata! em tempos como o de hoje, cheios de ódio e localização, deve-se exercitar diariamente.

O que você faz quando a espera é tempo demais? - De "Só Pra Lembrar" estava na fila para ser gravada e entrou neste trabalho. A faixa é uma parceria com Dani Black.
Lembra porque tá esperando, e quem. Pensa se vale à pena. Na canção, o que acalma é a espera é se sentir amado. O amor sempre salva a espera, escuridão, a aridez da vida.

Divulgação
Capa de "Tudo é Um" Imagem: Divulgação
O que te alegra o dia? - De "Me Faz Uma Surpresa" é uma parceria com Zeca Baleiro, outro amigo de longa data de Zélia. O arranjo de metais é de Christiaan Oyens.
Minha casa, meu violão, meus cachorros, dar uma boa corrida, conseguir frear a pressa. Visitar minha mãe, coisa aparentemente simples.

O que te espera do lado de fora? - De "Medusa" é a segunda música do álbum feita em parceria com Zeca Baleiro com baixo tocado por Kassin.
O mistério, sempre. E se o mito da Medusa quiser me paralisar, eu abro as asas e voo.

Você é uma artista que usa muito as redes sociais para se posicionar em relação ao momento político atual do país e é ativa na combate ao ódio. Como esse posicionamento impacta nas plateias dos seus shows?
Positivamente. Descobri que os fabricantes de ódio, agressão e violência, não são necessariamente a nossa plateia, nunca seriam. Quem consome cultura sabe o quanto ela faz diferença na vida, o quanto faz companhia e faz pensar. Os artistas são o povo, nascemos colados, por isso metemos medo, porque sabemos nos comunicar. Meus shows têm sido cada vez mais comunhão de pensamentos e coração.

O disco não parece da mesma autora dos tuítes. Ele é repleto de delicadeza e traz calmaria em músicas de autoaceitação, paciência, caminhos leves... Nele, você tentou buscar a calmaria para a era turbulenta que vivemos?
Meus tuítes não são raivosos, são críticos. Eu procuro o diálogo, converso com muita gente e bloqueio os estúpidos, sem conversa, tenho mais o que fazer. E também aprendo, leio, dou risada. Aprendi a lidar ali, eu acho. Meu disco está gentil, macio, não foi programado, mas acho que eu estava precisando. Como um antídoto.

Você é bastante ativa no twitter. Já sofreu algum tipo de ameaça?
Agressões várias, pelo Face também, mas sei que tem gente que recebe coisas bem piores e terríveis, vamos vendo. É muito deprimente ver o Brasil assim?temos que nos encontrar, ir aos eventos culturais e frequentar os amigos.