Coluna

Adriana de Barros

"Dá pra pagar o almoço e o jantar", diz Sander Mecca sobre cantar no metrô

Adriana de Barros

Adriana trabalha no UOL desde 2000, passou pelas rádios Mix FM, 97Rock e pela gravadora Sony Music.

06/07/2017 09h42

Um dia após ter sido filmado cantando no metrô de São Paulo, o cantor Sander Mecca esteve no UOL e contou sobre a nova fase da vida. A conversa foi no mesmo local onde, no início dos anos 2000, Sander batia cartão com a então banda Twister, conversando com os milhares de fãs que lotavam as salas de bate-papo virtual.

Enquanto caminhava até o estúdio onde seria feita a entrevista, o músico relembrou quando meninas fanáticas lotavam a entrada do prédio em busca de uma palavrinha com os donos do hit "40 graus". Nada disso, no entanto, parece fazer falta na vida da Sander Mecca. Embora reconheça a importância da fase meteórica, o ex-ídolo teen, hoje aos 34 anos, está em outra.

Sua ideia agora é estar "próximo à arte", seja no palco, no estúdio ou no metrô passando o chapéu, de onde diz tirar seu sustento. "Consigo pagar meu almoço, meu jantar e ainda sobra. Em duas horas de vagão, faço uma grana digna, mais do que em uma hora de aula como professor", conta o artista.

Até o fim do ano, Sander pretende lançar um CD, que já tem três músicas disponíveis nas plataformas digitais, todas produzidas por Gabriel Povoas, filho de Daniela Mercury. Uma delas é "O Dia de São Nunca", dueto com Zeca Baleiro.

"Conheci o Sander por meio de Léo Nogueira, poeta parceiro, que me chamou pra participar do disco dele. Fiquei impressionado com o vigor vocal do cara. Ele é um baita cantor. Canta com muita alma e é muito intenso. E é gente finíssima também. Espero que o disco faça justiça ao talento dele", diz Baleiro.

É a arte também que o mantém firme em contato consigo mesmo, longe das drogas. Em 2005, o cantor foi preso por porte de drogas e ficou quase dois anos atrás das grades indiciado por tráfico. Toda essa história foi narrada no livro "Inferno Amarelo", que escreveu na cadeia.



Início da carreira

"Comecei como calouro mirim, fazendo campanhas publicitárias, e daí vieram os shows. Desde pequeno, estive na TV e nos palcos. Participei de programas da Angélica, Mara Maravilha, Sérgio Mallandro. Tem vários desses vídeos no YouTube."

Twister

"Muita coisa aconteceu até eu chegar no Twister. Comecei no grupo Comando que era da produtora do Gugu. Com o fim desse grupo, o mesmo empresário teve a ideia de lançar o Twister. Dos 15 aos 17 anos ficamos atrás dos integrantes até montar a banda. O lançamento do Twister aconteceu em 2000, e a banda durou três anos. Foi tudo muito intenso. A gente não podia sair na rua. "40 Graus" era a música mais tocada no Brasil. Lançamos o disco em espanhol e fomos trilha de uma novela mexicana. Foi muito importante viver tudo isso porque adquiri experiência. E hoje sei onde posso ir para dar meu recado como eu quero. Construí uma personalidade musical que não tem nada a ver com a que eu tinha aos 17 anos."

Arte em qualquer parte

"Conhecia muitos amigos que já cantavam no metrô e pedi dicas a eles. Eu tinha essa vontade, mas não sabia como fazer. Estou adorando e achando muito interessante a abordagem. Canto há dois meses nos vagões. Tenho uma parceira que canta e toca acordeão, a Marília Calderón. Ela me deu as principais dicas e foi comigo nas primeiras vezes. No começo foi difícil porque uma coisa é você estar no palco que as pessoas foram te ver, a outra é você invadir o espaço em que a pessoa está. Fui incentivado e tive apoio. Por enquanto faço a linha 2-verde do metrô de ponta a ponta e às vezes a 1-azul. A 3-vermelha ainda não fiz. Quero também experimentar os trens. Entro, vou de vagão em vagão, passo meu chapéu e ganho um dinheiro digno. Dá para o almoço, jantar e ainda sobra bastante. Em duas horas de vagão faço uma grana bem honesta, mais do que faria em uma hora como professor, como fiz quando trabalhei em escolas de música. O horário mais interessante é o matutino. As pessoas estão mais abertas para ouvir e mais generosas no chapéu. Encontro de tudo nas apresentações. Tem hora que todo mundo te aplaude, hora que ninguém aplaude. Tem pessoas que não tiram o fone, pessoas que olham nos meus olhos. Estou aprendendo muito na relação tête-à-tête. Só toco músicas autorais, não necessariamente minhas, mas não atendo pedidos. Já passou da hora de buscar boa arte em canais de grande audiência. Temos muita coisa boa rolando onde a gente não imagina."

Prisão

"Eu usava drogas em grandes quantidades. Comecei com 15 anos e fiquei quase dois anos preso. Fui condenado como traficante, depois fui absolvido. Durante esse tempo escrevi um diário, o 'Inferno Amarelo', onde conto toda minha história sem papas na língua. Conto histórias pessoais bem íntimas. Faço tratamento até hoje. Psicanálise. Faço terapia de grupo e tenho acompanhamento psiquiátrico. Estou bem próximo da arte. Fui de um extremo a outro: do Twister à prisão. Hoje não uso mais nada."

Futuro

"Lancei um EP no final do ano passado com as músicas 'O Dia de São Nunca' (dueto com Zeca Baleiro), 'Um Pária' (composição de Zeca Baleiro), 'Assaltando Covis', produzidas pelo Gabriel Povoas, filho da Daniela Mercury. As três estão disponíveis em todas plataformas digitais. Vou lançar até o final do ano um CD. Já tenho algumas músicas prontas, além dessas três. Me inscrevi no Mama Festival da França, ainda não sei se serei pré-selecionado. A ideia é trabalhar lá pra fora dentro de um conceito de world music nos festivais de jazz e música contemporânea. Já fizemos essa inscrição e, de repente, em outubro estaremos em Paris."   

No próximo dia 23 de julho, Sander Mecca fará show na Avenida Paulista esquina com Rua Teixeira da Silva, das 15h às 18h.

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