UOL Entretenimento 29º Bienal de Arte
 
01/12/2010 - 17h15

Silenciosa, fotografia surpreende na 29ª Bienal de São Paulo

MARIO GIOIA
Colaboração para o UOL
  • David Goldblatt / Cortesia 29ª Bienal de SP

    Foto da série "In The Time of Aids", de David Goldblatt, que está na 29ª Bienal

Com o grande número de artistas, a expografia labiríntica e o ambiente ruidoso, intencionalmente propostos pela curadoria, o público menos atento pode ter deixado passar alguns dos grandes nomes da fotografia na 29ª Bienal. É certo que a linguagem está intrincadamente ligada às artes visuais de modo mais incisivo -- por exemplo, o fotográfico pode ser visto em vídeos e filmes, não apenas pendurado em um painel -- e a curadoria selecionou artistas mais estabelecidos, como Allan Sekula, David Goldblatt e Alessandra Sanguinetti, e emergentes, como Moshekwa Langa e Otobong Nkanga, duas das melhores representações da África na exposição.

Logo no início da mostra, ladeando a instalação de Luiz Zerbini, "Inferninho", está a série "As Aventuras de Guille e Belinda e o Enigmático Significado dos Seus Sonhos", da anglo-argentina Alessandra Sanguinetti, que foi uma das estrelas do Paraty em Foco, em 2009. A série traz duas adolescentes em climas de narrativas fantásticas, mas ambientadas com elementos do pampa argentino. Com o trabalho na agência Magnum e séries como "No Sexto Dia", a artista obteve o prestígio do meio, fazendo com que obras suas estejam em museus como o MoMA, em Nova York.

"Guillermina e Belinda são primas, ambas são netas de Juana, uma senhora que vive perto das terras de meu pai. Muitas fotografias de "Sexto Dia" fiz aí, já que Juana tem todos tipos de animais: gansos, patos, bezerros, coelhos, cavalos, vacas, cabras", conta Sanguinetti. "Já as conhecia desde muito pequenas, elas atrapalhavam minhas fotos e assustavam os animais. Mas, em 1999, quando tinham 9 e 10 anos, pedi que ficassem. Passava quase todos os dias com elas, escutando-as, inventando jogos e tirando fotos. Transformou-se em um trabalho sério."

  • Alessandra Sanguinetti / Cortesia 29ª Bienal de SP

    Foto de série da anglo-argentina Alessandra Sanguinetti

Quase ao lado, o sul-africano Moshekwa Langa exibe série "Sem Título", que parece compilar vestígios de ações banais, que estimulam o espectador a montar suas próprias narrativas. Também próximo, mas em vídeo, o belga David Claerbout traz o exímio trabalho "As Seções de um Momento Feliz de Argel", no qual também dá ao observador, em geral fascinado com a multiplicidade de ângulos de uma mesma cena, criar uma narrativa pessoal.

Fim das utopias e submundos

O continente africano também é bem representado com a nigeriana Otobong Nkanga, que trata de um tema muito caro à 29ª Bienal: o fim das utopias. Retratando um conjunto habitacional de linhas racionalistas que foi deixado incompleto para as famílias moradoras, a artista sublinha as intervenções "orgânicas" dos residentes, que tiveram de instalar caixas d´água e cabos numerosos para viverem melhor no local. O sul-africano David Goldblatt exibe a série "In the Time of Aids", na qual comenta a invisibilidade do programa de combate à Aids no país.

  • Miguel Rio Branco / Cortesia 29ª Bienal de SP

    Obra de Miguel Rio Branco, "Nada Levarei Qundo Morrer Aqueles que Mim Deve Cobrarei no Inferno"

De tom bastante político é a série "Ship of Fools", que o norte-americano Allan Sekula apresenta na exposição, que traz o cotidiano pouco conhecido de uma embarcação comercial. Espécie de terra sem lei e com dia-a-dia contingenciado por condições das mais adversas no mundo do trabalho atual, o artista ainda enfoca a rotina das tripulações no porto de Santos. Tal série está colocada próxima da instalação de Cildo Meireles, "Abajur", que também comenta criticamente as relações de trabalho.

Reconhecido em âmbito mundial, Miguel Rio Branco apresenta filme pouco visto, "Nada Levarei Qundo Morrer Aqueles que Mim Deve Cobrarei no Inferno", sobre o submundo do Pelourinho antes da reforma no bairro. O colombiano Miguel Angel Rojas também investiga os subterrâneos de cinemas gays de Bogotá na série "Faenza", bastante vista em vários países.

Para os apreciadores da linguagem fotográfica, ainda há vários outros artistas com boas séries, como os brasileiros Rosângela Rennó, Rochelle Costi, Guy Veloso e Juliana Stein, além da francesa Sophie Ristelhueber, entre outros. 

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