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  • galeria: Um dia na rotina de Robson Mendonça, ex-morador de rua que distribui livros
  • link: http://entretenimento.uol.com.br/album/bicicloteca_album.htm
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Fotos
A reportagem do UOL chegou por volta das 11h da manhã da última quinta-feira (13) em frente à Praça da República para acompanhar o dia de Robson Mendonça, um ex-morador de rua, 60 anos, que distribui livros no centro da cidade Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Não demora muito para que Robson receba uma visitante em sua biblioteca. A mulher se aproxima, pega um livro e pergunta "como funciona". Ele se aproxima e explica com um sorriso: "é só pegar e levar" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Enquanto uma mulher folheia romances, inclusive uma versão pocket de um livro de poesias de Shakeaspeare, outra se aproxima com a mesma pergunta e se surpreende com a facilidade proposta por Robson. "Não precisa deixar documento, fazer cadastro, nem nada?". A resposta é não Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
O máximo que Robson pede no momento é o nome e e-mail do interessado, que futuramente virará seu pequeno banco de dados Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
"Voltei a trabalhar essa semana. A bicicleta tinha sido roubada", explica. "Roubaram enquanto eu falava com uma emissora de TV. O pessoal da rua mesmo que me ajudou a achar. Ela foi vendida para um 'noia' na Cracolândia, revendida na Santa Efigênia e achamos vazia e com o adesivo descolado, pronta pra ser reutilizada" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Na foto, Robson conversa com Adriana Eunice de Oliveira e Silva, funcionária pública de 35 anos, que pegou o livro religioso "A Oração de Jabez" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Enquanto Robson conversa com as mulheres, um morador de rua se aproxima e pede dinheiro à reportagem. Robson interfere e responde com várias opções de almoço disponíveis de forma comunitária no centro até que o morador desiste de argumentar sobre os problemas com os horários das refeições e desiste. Robson é presidente do Movimento Estadual de População de Rua Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Enquanto as mulheres procuram os livros, Robson comenta o caso. "Esse é o famoso '171'. Sempre que vem alguém aqui encaminho pros centros de apoio. As pessoas têm mania de dizer que o morador de rua precisa ser incluído na socidade. Ele já está na socidade, mas precisa ser devolvido à comunidade. A sociedade é individualista" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Alguns pingos de chuva começam a cair e Robson anuncia que precisaremos ir à Praça do Patriarca, onde a cobertura protege os livros Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
A biblioteca improvisada de Robson também recebe visitas de políticos. "Na quarta (12), o Eduardo Suplicy veio até mim em um evento, entregou alguns livros de sua autoria assinados e foi embora. Eles só querem tirar foto pra colocar no site deles" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Robson exibe capa do livro "Um Notável Aprendizado", escrito pelo senador e entregue para ele durante um evento Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Na contracapa do livro, o senador parabeniza o trabalho de Robson dizendo que "possamos sempre ampliar o acesso aos livros" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Seguimos para a Praça do Patriarca e no caminho Robson conta um pouco de sua vida. "Era pecuarista lá no sul. Quando mudei para São Paulo, minha família fez uma viagem ao Nordeste de férias e minha mulher e casal de filhos morreram em um acidente" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
"Morei na rua por três anos até que uma mulher se aproximou e perguntou o que eu precisava pra sair da rua. Falei 'me pague um aluguel que nunca mais volto'. E não voltei mais", conta Robson Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
"Uma vez pedi dinheiro pra comer e uma mulher xingou, disse que eu era saudável, tinha mais é que trabalhar. Fiquei com muita vergonha e por causa disso comecei a beber, bebia porque bêbado não tem vergonha e assim conseguia algum dinheiro para comer. Comia comida do lixo. Mas nunca usei droga pesada. Casei com a morte, mas pedi divórcio", diz Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
A Bicicloteca tem capacidade para 250 livros. No momento da reportagem, tinha 220. Robson conta que ama ler e que o último livro que leu foi a biografia de um mendigo Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
O projeto da Bicicloteca foi aprovado em junho de 2011, quando a bicicleta começou a rodar pelo centro. Mas Robson já tentava emplacar o projeto há dez anos quando ganhou de presente o veículo que coincidentemente tem como marca "dream bike" (bike dos sonhos) Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
"Tentei morar em alguns albergues, mas albergue é depósito humano. Atualmente moro em uma pensão perto do escritório do Movimento", conta Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
"Tentava entrar nas bibliotecas, mas mendigo, sujo, me colocavam pra fora, as pessoas não querem um cara assim lendo do lado. Sem endereço, também não tinha como pedir emprestado. Mas sempre amei ler. Então uma vez li 'A Revolução dos Bichos', de George Orwell. E esse foi o livro que mudou a minha vida", conta Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Nessa época, Robson, que participava de alguns eventos para moradores de rua, conheceu outros moradores e fundou o Movimento Estadual da População em Situação de Rua, onde presta serviços para moradores Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Depois do furto, Robson acorrenta a bicicleta no local do roubo e sempre que precisa sair para almoçar ou ir ao banheiro, pede para um plaqueiro que ele considera "de confiança" na rua para olhar Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Robson mostra o carimbo criado para o projeto. Entre os borrões é possível ler "Atenção: esse livro não pode ser vendido. Após a leitura, passe para outra pessoa ou devolva para a bicicloteca" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Ranieri Val Frazão, artista plástico, também para e conversa com seu Robson "só por curiosidade" e acaba levando "Ópera do Malandro" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Robson, que chegou a cidade sem saber ler por achar que não precisava de educação para ser empresário no Sul, tomou algumas aulas na cidade Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
A Bicicloteca fica na Segunda na Praça da Sé, na Terça na Praça do Patriarca, na quarta, na Barão de Itapetininga com a Dom José Gaspar, na quinta na Praça da República e na Sexta na Santa Cecília. Sempre das 9h às 17h Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Perguntamos a Robson como ele sobrevive vivendo só com o trabalho da biblioteca móvel. "De doação, né? O que comemos vem de uma cesta básica doada para o Movimento. Estou esperando liberarem uma doação pra comprar um carimbo pros livros, sem ele fica difícil trabalhar" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Qual seu sonho? A reportagem pergunta. "Queria ter uma frota de dez bicicletas circulando. Mais uma no centro, uma na Heliópolis. Imagina que bom que ia ser?", responde Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Se aproxima do meio dia quando Robson nos convida para conhecer o espaço que chama de escritório do Movimento, que tem o aluguel pago como doação de um grupo de advogados Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Detalhe da biblioteca de Robson, presa na grade da Praça do Patriarca Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
O projeto das bicicletas de Robson está em um site de crowdfunding, tipo de site que arrecada fundos para projetos, e tem apoio do grupo Mobilidade Verde, que foi quem criou o blog para Robson Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Robson diz que entre seus projetos está uma ideia de abrir e gerenciar uma associação para dar emprego às pessoas de rua. "Muitas vezes as pessoas precisam só de uma ajuda. Aqui a gente separa documento, pergunta com o que a pessoa gosta de trabalhar e encaminhamos" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Já no "QG" de Robson, ele estaciona a bicicleta na rua onde alguns moradores "ficam de olho" para ele no veículo Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
No escritório, o gato batizado como "cabeção" pelas crianças da rua. Pilhas de livros ficam espalhados pelo pequeno espaço, que tem também um certificado da Ordem dos Músicos na parede, creditando Robson por tocar piano Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Robson diz que seu ativismo contra os problemas na rua já o fez ter problemas com policiais. "Um deles veio aqui e colocou um grupo de moradores na porta e disse que já que era eu o responsável, então era pra mim cuidar. Mas esse é um problema deles, um problema do governo, um problema de todos" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Com um problema no Word do computador, Robson diz que tinha vergonha de mexer na máquina. "Tinha medo de mexer e quebrar tudo, até de tocar no teclado com medo de quebrar. Agora fuço em tudo" Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Nas gavetas do escritório, ficam guardados flyers que Robson produz para divulgar eventos de talentos e poesia com moradores de rua. "Eles sempre aparecem, gostam de ser ouvidos", conta Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
Robson conta com um amigo de confiança, que cuida da bicicleta para ele durante o almoço no escritório e já planeja contratar algum morador voluntário para ajudar com a segunda bicicleta, que ganhou de uma empresa e deve receber ainda em outubro e vem com um notebook para auxiliar nos cadastros Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais
"Amo o que eu faço, se não gostasse, já tinha desistido", diz Robson Fotos: Fernando Donasci/UOL e Texto: Estefani Medeiros/UOL Mais

Um dia na rotina de Robson Mendonça, ex-morador de rua que distribui livros

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