18ª Bienal Internacional de São Paulo A curadora Sheila Leirner protagonizou uma polêmica com algumas representações nacionais ao radicalizar em sua opção de montagem na 18ª Bienal. Em três corredores de 100 metros de extensão por 6 metros de largura e 5 metros de altura, Leirner enfileirou dezenas de quadros, com uma distância de apenas 30 centímetros entre cada um, a compor o que chamou de a “Grande Tela”. Folha Imagem O corredor da “Grande Tela" A atitude da curadora surtiu efeito e a montagem recebeu duras críticas de algumas representações nacionais. Uma das principais críticas era a de que o visitante não podia contemplar um quadro sem sofrer a intervenção visual do quadro ao lado. Outra queixa provinha do fato de que os trabalhos de artistas consagrados apareciam misturados aos de artistas jovens e “imaturos”. Os representantes argentinos e alemães fizeram forte pressão para que se retirassem as obras de seus países da “Grande Tela”. Firme, a curadora não cedeu e manteve a montagem na forma como havia proposto. O checo Jiri Dokoupil destacou-se entre a profusão neo-expressionista da “Grande Tela” com um trabalho que se apropriava de marcas famosas, como Pepsi e Rolex, e as reescrevia em telas enormes, com traços violentos e fora do contexto publicitário. Outro destaque foi o alemão Helmut Middendorf, que utilizava diferentes suportes materiais em seus 9 quadros. Folha Imagem Obra de Nuno Ramos, do grupo Casa 7 A linguagem expressionista não ficou restrita ao polêmico corredor da “Grande Tela” e tornou-se o tom geral da 18ª Bienal. O “Grupo Cobra” (Copenhague, Bruxelas, Amsterdã) apresentou as obras de 32 artistas que traziam a força dramática do período posterior à segunda guerra mundial. A exposição “Expressionismo no Brasil: Heranças e Afinidades” apresentou uma didática sala especial que mostrava trabalhos dos expressionistas de Iberê Camargo, Lasar Segall, Flávio Shiró, Antônio Bandeira e Yolanda Mohalyi aos neo-expressionistas Wesley Duke Lee, José Roberto Aguilar e Jorge Guinle Filho. Divulgação A performance "Nightsea Crossing", de Marina Abramovic Mesmo com as atenções voltadas à “Grande Tela” e ao expressionismo, a Bienal de 1985 apresentou trabalhos significativos em outras modalidades. A vídeo-arte, relativamente assimilada pelo público em comparação a bienais anteriores, ganhou um amplo panorama da produção na América Latina, França, Estados Unidos, Grã Bretanha e Alemanha. As instalações dos norte-americanos Edward Mayer, Ellen Lampert, do alemão Albert Hien, e dos franceses Christian Boltanski e Daniel Buren mostraram na Bienal a riqueza de produção desta linguagem. Entre os brasileiros destacaram-se Guto Lacaz com uma instalação que trazia objetos em movimento (arte cinética), e Alex Vallauri, que mostrou a divertida instalação “A Casa da Rainha do Frango Assado”. Vallauri montou uma casa com sala, cozinha e banheiro em que objetos reais misturavam-se às imagens de outros objetos grafitados nas paredes. A casa era ocupada pela atriz Cláudia Raia no papel “A Rainha do Frango Assado”. Divulgação O músico norte-americano John Cage, na 18ª Bienal Fontes- Arquivos Folha de S. Paulo - "As Bienais de São Paulo / 1951 a 1987", de Leonor Amarante - "Bienal 50 anos", organizado por Agnaldo Farias - Site oficial do Museu de Arte Moderna de São Paulo - Fundação Bienal de São Paulo. | Autores do cartaz- Cláudia Stamacchia |
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