21/02/2007 - 07h21
Carnaval baiano tem dia de Sapucaí com escola de samba carioca
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Valter Pontes/Coperphoto
Porta-bandeira da Grande Rio participa da festa do Expresso 2222 em Salvador
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Por Fernanda Ezabella SALVADOR (Reuters) - A avenida Oceânica, na orla de Salvador, teve seu dia de Marquês de Sapucaí, na terça-feira, última noite do Carnaval baiano. Cento e vinte componentes da escola de samba Grande Rio desfilaram com o trio Expresso 2222, que contou com Alcione e Zeca Pagodinho, convidados do ministro-cantor Gilberto Gil. "A idéia era juntar os comportamentos culturais do Brasil, tudo é feito com muito amor", disse o vice-presidente da escola, Jayder Soares. "E se deixar, a gente vem todo ano." Ao contrário da limpeza impecável da avenida carioca, os 12 passistas, 10 baianas e 72 integrantes da bateria que desfilaram no chão do trajeto Barra-Ondina tiveram que driblar uma sujeira pesada, que incluía muitas poças de água suja. A plumagem branca na barra da saia da porta-bandeira ia aos poucos mudando de cor. "Vai detonar a fantasia", disse a carioca, carregando a vestimenta de 40 quilos. Enquanto ela tentava descansar ajoelhada, esperando a saída do trio, atrasado havia horas, seu colega de dupla pegava o telefone de duas foliãs do outro lado da corda que protegia a escola. Os integrantes da Grande Rio viraram verdadeiras celebridades em Salvador, fazendo pose para fotografias, especialmente as seis mulatas passistas de biquíni. Dois rapazes vestidos com a indumentária do afoxé Filhos de Gandhy entraram na corda para jogar perfume alfazema nas mulatas e dar seus famosos colares de contas brancas e azuis, que elas amarraram no pulso. A maior parte dos integrantes estava sem dormir, já que o desfile da escola no Rio de Janeiro terminou às 5h da terça-feira. "Até meio-dia ficamos encaixotando tudo, as fantasias. Depois, às 14h, pegamos o avião, estamos todos virados", disse o diretor social da escola Walter 59, como é conhecido. Os foliões da pipoca olhavam com curiosidade e perguntavam de onde era o pessoal fantasiado de forma luxuosa, coisa rara no Carnaval baiano. "Tanta roupa aqui, e tão pouco ali. É esquisito", disse um baiano, apontando para as baianas que rodavam e as mulatas que sambavam.
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