10/03/2006 - 18h06
Julgamento do "Código Da Vinci" tem discussões acaloradas
Por Mike Collett-White LONDRES (Reuters) - Trocas de farpas acaloradas marcaram a sexta-feira, na fase final do processo judicial envolvendo os direitos autorais do livro "O Código Da Vinci", no qual dois historiadores acusam o autor Dan Brown de ter utilizado a pesquisa deles no livro que virou best-seller. Richard Leigh foi ao banco das testemunhas depois de mais de três dias de interrogatório exaustivo do também querelante Michael Baigent, animando os procedimentos no tribunal e dizendo que tudo o que queria era o reconhecimento apropriado de parte de Dan Brown em seu romance. Leigh não poderia ter sido mais diferente de Baigent, que depôs em tom calmo e professoral. Ele apresentou seus argumentos em tom claro e agressivo. Em lugar de vestir terno escuro e sóbrio, ele compareceu ao tribunal esta semana usando jaqueta de couro marrom e óculos de sol. Leigh e Baigent são co-autores do trabalho histórico de 1982 "The Holy Blood, and the Holy Grail" (O Sangue Sagrado e o Santo Graal) e afirmam que Dan Brown copiou os temas centrais do livro deles em seu thriller de fundo religioso. Os dois historiadores estão processando a editora britânica de Dan Brown, Random House, num processo que vem atraindo atenção enorme da mídia, tanto em função do status de superastro de Brown no mundo literário quanto pelo precedente potencial que o processo pode criar, no caso de os historiadores saírem vitoriosos. Brown, 41 anos, acompanhou a maior parte do processo no tribunal e assistiu ao depoimento de Leigh na sexta-feira. A expectativa é que Brown deponha na segunda-feira. TRIBUNAL LOTADO "Se Dan Brown tivesse reconhecido 'Holy Blood, Holy Grail' na abertura de seu livro ... duvido que estivéssemos aqui," disse Leigh diante do tribunal lotado. Depois do interrogatório de Leigh ter sido concluído com surpreendente rapidez, o juiz Peter Smith encerrou a segunda semana do julgamento, observando que um dos personagens de "O Código Da Vinci" na realidade constitui uma referência ao livro de 1982. O nome do personagem, Sir Leigh Teabing, é formado por um anagrama dos nomes dos dois querelantes. "Em primeiro lugar, isso nos prejudica com um elogio fraco", disse Leigh, dizendo considerar a referência feita no livro, através de Teabing, como "condescendente". O mais importante, segundo Leigh, é o fato de seu nome e o de Michael Baigent não constarem do livro. O terceiro autor de "The Holy Blood", Henry Lincoln, não está participando da ação. Quando foi sugerido que as vendas de "The Holy Blood" tiveram grande aumento em função da publicidade que cerca o processo na Justiça e do enorme interesse gerado pelo romance de Dan Brown, Leigh respondeu: "Isso poderia também me fazer sentir pouco à vontade por estar aqui." Mais uma vez, boa parte da discussão girou em torno da história antiga e das conjeturas que cercam a linhagem sanguínea de Jesus, o significado real do Santo Graal, o papel do misterioso Priorado de Sião e os Cavaleiros Templários. Os temas são comuns aos dois livros, embora o advogado da Random House, John Baldwin, venha procurando enfatizar as diferenças entre os livros, o fato de que Dan Brown se baseou em várias fontes e que a própria obra dos historiadores não era original. Em agosto passado, Dan Brown venceu uma ação na Justiça contra outro escritor, Lewis Perdue, que alegou que "O Código Da Vinci" havia copiado elementos de dois de seus próprios romances, "Daughter of God" e "The Da Vinci Legacy".
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