06/11/2009 - 19h41
Juliette Binoche mostra faceta de pintora em Estoril
Estoril, 6 nov (Lusa) - A exposição de pintura da atriz Juliette Binoche, "Portraits In-Eyes", em cartaz no Centro de Congressos do Estoril no âmbito do Estoril Film Festival, partiu de um desafio do crítico Jean-Michel Frodon.
Em entrevista à Agência Lusa, a atriz francesa revelou que começou a se interessar por este tipo de arte aos nove anos, quando sua mãe, por razões profissionais, comprou vários álbuns de pintura e escultura.
"A minha mãe levava aqueles grandes álbuns e eu comecei, nos fins-de-semana, a copiar tudo o que via. Foi assim que aprendi", disse.
O próximo passo foi quando interpretou uma pintora no filme "Os Amantes da Pont-Neuf" (1991), de Leos Carax.
"A personagem obrigou-me a fazer toda uma preparação e aprender várias coisas", disse.
"Portraits In-Eyes" não é a primeira exposição de Binoche, que realizou uma outra em Tours, França, há cerca de seis anos, organizada pela Escola de Teatro, com Christian Fenouillat.
"Foi quando tive o meu primeiro filho, Raphael, e pintei em acrílico", disse.
Desafio em nanquim
Os 44 retratos exibidos no Estoril são feitos em nanquim, e partiram de um desafio de Jean-Michel Frodon, ex-diretor da famosa revista francesa Les cahiers Du cinéma.
Os quadros representam os diferentes cineastas com os quais trabalhou, como Jean-Luc Godard, André Techiné, Louis Malle e Anthony Minghella, e outros 22 "autoretratos" das personagens que interpretou, e ainda um texto poético sobre cada um.
Entre os "autoretratos" está o da enfermeira Hana, de "O Paciente Inglês", que rendeu a Binoche um Oscar de atriz coadjuvante em 1996.
"Comecei a pintar para experimentar algo de novo, mas também para recordar o que daqueles papéis e daquela experiência ficou", disse a estrela.
A escolha do nanquim deveu-se a razões práticas.
"Tinha pouco tempo para os fazer e, apesar de ser genial usar cores, seria mais complicado e levaria mais tempo", disse.
Foco no olhar
Os retratos que pinta evidenciam uma tensão na zona dos olhos, o que foi justificado pela atriz pelo fato "de serem os olhos o vetor entre o interior das pessoas e o exterior".
"É pelo olhar que tocamos o interior e é através dele que nos apercebemos do exterior. Os olhos são as portas da alma", defendeu.
Binoche disse que pintou no sentido "de uma retrospectiva, pensar o que ficou como memória de um trabalho já feito".
O produtor Paulo Branco, diretor do Estoril Film Festival, que já está na terceira edição, afirmou que a exposição mostra "a relação da atriz com o cinema e sua dedicação".
Na mostra cinematográfica serão exibidos 13 filmes nos quais Binoche participou, e ainda um documentário realizado por sua irmã Marion Stalens, que a acompanhou em seu trabalho de atriz.
Juliette Binoche nasceu em Paris em 9 em março de 1964, e estreou como atriz aos 18 anos no filme "La fille du rallye", de Pascal Kané.
Aos 24 anos, pela atuação em "A Liberdade é Azul", de Krzysztof Kieslowski, recebeu um César de melhor atriz.
A exposição, em cartaz no Centro de Congressos do Estoril, já percorreu 12 outros locais.