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28/10/2009 - 15h26

Professor brasileiro aponta 'abertura cultural' da China

Pequim, 28 out (Lusa) - Após ensinar design gráfico durante três anos em Xangai, o professor brasileiro Bruno Porto concluiu que a China está atravessando uma "segunda abertura", centrada, desta vez, na área cultural.

"Os anos 80 e 90 foram os da abertura econômica. Nesta década, começou a haver uma segunda abertura, mais cultural e social", disse Porto à Agência Lusa.

Porto, 38 anos, encontra-se na capital chinesa para participar no Congresso Mundial da Icograda (Conselho Internacional de Associações de Design Gráfico), que acontece pela primeira vez em Pequim e vai terminar na sexta-feira.

O evento, que conta com cerca de mil especialistas de dezenas de países, da Austrália ao Brasil, tem sido apresentado na imprensa chinesa como "as olimpíadas do design".

O objetivo dos anfitriões é "promover Pequim como uma capital global de design" e "redesenhar a imagem criativa da China".

O brasileiro considera que, neste domínio, a China "ainda está numa fase embrionária", mas realça que há uma inédita "abertura ao novo".

"Historicamente, o novo nunca foi muito bem aceito na China e o próprio ensino estimula mais a obediência que a criatividade", acrescenta.

Julius Wiedemann, editor brasileiro da Taschen, editora alemã especializada em livros de arte, que se encontra na China pela primeira vez, ficou surpreendido com o que viu no Congresso:

"Os chineses estão a viver um momento meio mágico. Estão a aprender a criar", disse.

Fundado em 1963, com sede no Canadá, o Icograda reúne o seu congresso mundial a cada dois anos.

A lista de participantes inclui "as mais procuradas estrelas do design e das indústrias de artes visuais", entre as quais o norte-americano Sol Sender, que desenhou o logo da campanha eleitoral de Barack Obama, o holandês Jan van Toorn e o japonês Kohei Sugiura.

Kiko Farkas, um dos nomes mais fortes do design brasileiro, também está presente no evento.

Além da conferência internacional, a Academia Central de Belas Artes da China (CAFA) organizou uma série de exposições com obras dos novos criadores chineses.

Wang Min, diretor da Escola de Design da CAFA, não tem dúvidas: todas estas iniciativas "ajudarão a redefinir o papel da China no design global e estabelecerão um marco na história do design na China".

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