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17/10/2009 - 18h34

Prêmio José Saramago traz responsabilidade, diz autor

Porto, 17 out (Lusa) - O escritor João Tordo, vencedor do Prêmio José Saramago, disse que a distinção significa uma responsabilidade a mais, pelo fato de passar a estar associado a "um dos maiores nomes das letras da atualidade, a nível mundial".

"É uma responsabilidade enorme porque até agora estávamos apenas dependentes do escrutínio dos nossos editores e de quem nos lia. A partir de agora, os nossos livros vão trazer o nome do José Saramago porque vão mencionar o prêmio e vamos ter que fazer jus a esse nome", acrescentou.

João Tordo descreveu a obra que motivou sua indicação ao prêmio, o romance "As Três Vidas", editado pela QuidNovi, como "um livro de aventuras à maneira de Enid Blyton, com toques de Kafka e de Melville", uma história que se desenrola durante 30 anos.

"Uma história cujo narrador, um homem muito jovem, vai trabalhar para um homem mais velho, com 70 e poucos anos", explicou.

De acordo com o autor, "o livro conta um processo de aprendizagem de quem nada sabe da vida e vai ser profundamente tocado pelo homem mais velho, cuja influência lhe começa a mudar a vida "do ponto de vista espiritual, metafísico e mesmo físico".

"Acho que é um livro que pode ser lido por todos, desde os 17 aos 77 anos, que tem a ver com o mistério, a aventura, o policial, com momentos de tensão e também momentos de introspecção".

Premiação

O jovem escritor já está trabalhando em um novo, que deverá ser lançado nos próximos meses. João Tordo nasceu em Lisboa, em 1975, num ambiente artístico. É filho do cantor Fernando Tordo e de Isabel Branco, ligada ao cinema e mais tarde à moda.

Em 2004, publicou o seu primeiro romance, "Os Homens sem Luz", a que se seguiu, em 2007, "Hotel Memória".

Instituído pela Fundação Círculo de Leitores com o apoio do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas - Ministério da Cultura, a premiação leva o nome do escritor Prêmio Nobel de Literatura de 1998.

Com periodicidade bienal, o prêmio entrega 25 mil euros para o vencedor e visa "promover a divulgação da cultura e do patrimônio literário em língua portuguesa, através do estímulo à criação e dedicação à escrita de jovens autores no domínio da ficção, romance ou novela em língua portuguesa por escritores com idade até 35 anos".

As edições anteriores do prêmio contemplaram Paulo José Miranda (1999 - "Natureza Morta"), José Luís Peixoto (2001 - "Nenhum Olhar"), Adriana Lisboa (2003 - "Sinfonia em Branco"), Gonçalo M. Tavares (2005 - "Jerusalém") e Valter Hugo Mãe (2007 - "O remorso de Baltasar Serapião").

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