06/10/2009 - 09h28
Feira do Livro de Frankfurt terá China em patamar especial
Pequim, 6 out - Romancistas como Jiang Rong, Yu Hua e Mo Yan, cujos livros se vendem aos milhões na China, são ainda pouco conhecidos fora do seu país, mas isso poderá começar a mudar a partir da próxima semana.
A China é, este ano, o "País Convidado" da cosmopolita Feira do Livro de Frankfurt, considerado o maior evento mundial do setor, que acontece de 14 a 18 de outubro, com cerca de 7.300 expositores de mais de cem países.
Desde 2006 a China já investiu meio milhão de euros na tradução e publicação de autores chineses no mercado internacional, num projeto que envolveu mais de 150 editoras de 36 países.
Traduções de dezenas de títulos de diferentes gêneros, da ficção às Ciências Sociais, serão lançadas durante a feira e, em alguns casos, com a presença dos respectivos autores.
No conjunto, a China preparou centenas de eventos, incluindo um concerto com a sua Orquestra Filarmônica e o mais midiático pianista do país, Lang Lang, que tocou também na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, no verão de 2008.
"O Ocidente está muito receptivo e ansioso por ler escritores chineses", garante uma agente literária estabelecida em Hong Kong.
Há quatro anos, a editora britânica Penguin comprou por US$ 100 mil os direitos de um 'best-seller' chinês, "A Hora do Lobo", de Jiang Rong.
"Esperava que fosse realmente o primeiro grande 'best seller' de ficção traduzido do chinês, mas não foi", comentou há um mês o editor, Paul Richardson, que é também consultor da agência governamental de Pequim empenhada na internacionalização dos livros chineses.
"Este grande livro - acrescentou - é um desafio aos leitores porque eles precisam compreender a história contemporânea da China e a cultura para o apreciarem plenamente".
"A Hora do Lobo", que vendeu mais de três milhões de exemplares na China e ganhou, entretanto, o 'Man Asian Booker Prize', foi publicado este ano em Portugal.
"A caça ao Haruki Murakami da China continua", disse um jornal oficial chinês ao comparar o impacto de Jiang Rong no Reino Unido com o sucesso planetário daquele autor japonês.
Uma das grandes esperanças, neste aspecto, é o último romance de Yu Hua, "Irmãos", um épico de 600 páginas, publicado em dois volumes em 2005 e 2006, e que saiu este ano nos Estados Unidos e na Europa.
Yu Hua, 49 anos, tem um romance já traduzido para português e editado no Brasil, "Viver", que foi adaptado ao cinema por Zhang Yimou.
O romance "Life and Death Are Wearing me out", de Mo Yan - um autor da mesma geração de Yu Hua - tem sido também bem recebido pela crítica ocidental.
Yu Hua, Mo Yan ou Jiang Rong não são considerados "escritores do regime" nem a sua escrita obedece às normas do "realismo socialista", mas também não se assumem como dissidentes políticos.
Segundo estimativas oficiais, anualmente, saem na China cerca de 91 mil títulos e além das 578 editoras estatais, haverá 10 mil editoras privadas.
Mas ao contrário do que acontece com muitos outros produtos "made in China" que inundam o mercado global desde África à Austrália, na área do livro o valor das exportações chinesas é inferior ao das importações.
Um estudo publicado pela Feira de Frankfurt indica que, em 2007, a China importou US$ 78,1 milhões de livros, cerca de 40% dos quais diziam respeito a publicações científicas, e exportou apenas US$ 32,98 milhões.
O número de licenças de publicação compradas pela China em 2007, sobretudo aos Estados Unidos, Reino Unido, Taiwan, Japão e Alemanha, ultrapassou os 12.500 - quase cinco vezes mais do que as que vendeu.