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02/10/2009 - 18h02

CD traz músicas remasterizadas da fadista Amália Rodrigues

Lisboa, 2 out (Lusa) - O CD duplo "Coração independente", que será lançado na próxima terça-feira, permitirá "ouvir Amália como nunca foi ouvida em disco", afirmou à Agência Lusa o coordenador do álbum, David Ferreira.

Ferreira, também amigo da cantora de fado, comparou o trabalho de remasterização à "ourivesaria pura" que "permitirá ouvir Amália como nunca foi ouvida em disco".

O produtor explicou que toda a obra da artista será revista e remasterizada, e anunciou que canções inéditas devem ser lançadas "dentro de meses".

O trabalho de remasterização realizado por Jorge Cervantes foi realçado e elogiado pelo editor, que afirma que a voz de Amália "ganhou o brilho e corpo que as máquinas modernas permitem".

"Melhorou-se o som sem acrescentar nada, como eu nunca pensei que se pudesse melhorar tanto. Na realidade, estamos a ouvir Amália tal como ela cantou, com todo aquele seu esplendor e genialidade", destacou.

Processo de restauração

Cervantes, músico e técnico de som peruano, trabalhou diretamente sobre as fitas analógicas e, canção após canção, foi buscando o equilíbrio e a dinâmica desejados.

Um trabalho complicado, principalmente porque a cantora trabalhou com músicos muito diferentes durante as cinco décadas nas quais atuou. "Há casos em que às gravações mono se juntou posteriormente novas gravações de guitarras, criando um 'falso estéreo'", explicou o editor musical.

O "som equilibrado" obtido partiu do fato de Jorge Cervantes ser músico e ter encontrado a afinação utilizada nas gravações originais, explicou Ferreira.

"O Jorge [Cervantes] em estúdio estava sempre com a guitarra clássica ao lado afinada de acordo com a afinação original das gravações e o raciocínio de músico ia percebendo onde se encontravam dissonâncias ou até sujidade própria do tempo", contou o amigo da artista.

O álbum "Com que voz" foi considerado como parâmetro, "na medida em que será talvez o disco mais bem sucedido de Amália".

"Tirou-se tudo que era ruído, dissonância, deitou-se fora os cliques próprios da sujidade do tempo, mas manteve-se a dinâmica que era essencial", disse David Ferreira.

Conteúdo

Além deste CD duplo, que apenas estará à venda na rede de lojas Fnac, será editado outro álbum, também remasterizado nas mesmas condições por Cervantes, que estará disponível na exposição "Coração independente", no Museu-Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

A seleção deste CD, que tem 20 músicas, é da autoria de Bruno de Almeida, diretor dos documentários "The art of Amália" e "Amália Rodrigues, Live in NYC".

"Há dois ou três temas que estão em um e não estão no outro, mas nada significativo", garantiu Ferreira. "Eu escolhi 'Meia noite e uma guitarra', enquanto o Bruno optou por 'Bairro divino'. Ele incluiu 'Solidão', com o Don Byas, e eu prescindi deste tema", exemplificou.

O editor afirmou ainda à Agência Lusa que se surpreendeu ao ouvir Amália cantar em outras línguas, como espanhol, francês, inglês e italiano.

"Ela não está a fazer variedades, empenha-se a sério, e transcende tudo. Em Amália nada é artificial e, guiada pela sua genial intuição, mistura musicalmente a ranchera com uma volta fadista, por exemplo", explicou.

Para o editor, "Amália é uma constante descoberta e é extraordinário como foi possível sair de um país tão pequenino e ser tão grande. Claro que teve a ressaca que dá esta terra que é a inveja. Mas é uma mulher extraordinária, e ouvi-la como nunca a ouvimos em disco, em qualquer das duas edições, é uma grande alegria".

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