02/10/2009 - 10h28
Comunidades chinesas se preparam para Festa da Lua
Macau, China, 2 out (Lusa) - Macau e as comunidades chinesas de todo o mundo comemoram neste sábado a passagem do equinócio de outono com a milenar Festa da Lua, que, este ano, coloca em evidência as faces de tradição e modernidade da mesma China.
A festa, celebrada há mais de dois mil anos, acontece no 15º dia da oitava lua do calendário lunar chinês. Neste ano, a comemoração cai na semana dourada, durante a qual se festejam os 60 anos de instauração da República Popular da China, quando o país emerge como uma das maiores potências mundiais.
Esta é uma das mais tradicionais cerimônias familiares dos chineses, que tem como objetivo, segundo os rituais milenares agrícolas, comemorar as boas colheitas pedidas durante a Festa da Primavera. A Festa da Lua é uma das poucas festividades em que os rituais são realizados por mulheres.
Ao anoitecer de sábado, as mulheres chinesas colocam ao ar livre altares com oferendas aos deuses, enfeitados com todo o formalismo que a tradição exige, e aguardam que a lua atinja seu ponto mais alto para começarem a rezar.
Sob a luz brilhante da lua cheia, centenas de famílias vão até as praias, jardins e locais altos para contemplar o satélite da Terra enquanto fazem piqueniques ao luar, nos quais o bolo da lua e o chá são a base da refeição.
O ritual só é completado com o transporte de lanternas dos mais variados formatos e cores que, em Macau, são, algumas vezes, colocadas para flutuar nos lagos Nam Van, em jardins da cidade e nas praias de Coloane. Normalmente esses objetos trazem enigmas pendurados para serem decifrados em família.
Os bolinhos da lua ou Yuan Xiao - encontrados às centenas nas pastelarias do território ou colocados em caixas especiais - são oferecidos a familiares e amigos, apresentando diferentes sabores que mudam de região para região.
No sul da China, o bolo lunar é mais doce, contendo ingredientes tão variados como sementes de lótus, pasta de feijão vermelho, nozes, gergelim, amêndoas, amendoins, sementes de melancia, gema salgada de ovo de pato e até barbatana de tubarão, ninho de pássaro e saliva das andorinhas.
Segundo a lenda chinesa, os bolinhos da lua tiveram um papel importante na derrubada da dinastia mongol, que governava o Império do Meio, e na ascensão ao poder da dinastia Ming.
Eles teriam sido usados pelos rebeldes para ocultar mensagens que instigavam o levante popular contra o poder instituído, revolta que foi marcada para o dia em que a lua estava mais visível para facilitar a visibilidade à noite.
A Festa da Lua, das Lanternas ou do Meio Outono, como é chamada, remonta à dinastia Han (206 a.C. - 220 d.C) e surgiu, de acordo com uma das versões contadas por budistas de Macau, com Hou Yi, um homem que morava na lua com sua mulher, Chang E, e a quem os deuses deram o elixir da vida eterna pela coragem de matar nove dos dez sóis que provocavam um calor insuportável na Terra.
Hou Yi, porém, preferiu não tomar a poção mágica, porque só havia o suficiente para uma pessoa e ele não queria deixar a mulher sozinha. Mais tarde, Chang E foi obrigada a beber o elixir para evitar que um homem fraco e sem princípios, que tinha conhecimento do líquido, ganhasse influência sobre a Terra.
Com isso, Chang E passou a ser imortal e passou a ter influência sobre a Terra, onde Hou Yi teve de ficar.
Outra das lendas conhecidas é a do coelho da lua, que, elevado à divindade, mora no satélite da Terra e vive preparando elixires da imortalidade. O personagem acabou sendo escolhido para representar o pavilhão de Macau da Expo 2010, em Xangai, que terá a forma da "Lanterna do Coelhinho".