27/07/2008 - 11h55
Arqueólogos procuram cidade pré-romana em Portugal
Estremoz, Évora, 27 jul (Lusa) - Na histórica localidade de Evoramonte, no Alentejo, estão sendo realizadas as primeiras escavações arqueológicas para desvendar se existiu no local a maior cidade pré-romana do sudoeste da Península Ibérica, conhecida por Dipo.
"As escavações pretendem confirmar a tese sustentada por alguns arqueólogos de que ali se situou a cidade pré-romana de Dipo", disse à Agência Lusa o presidente da Liga dos Amigos do Castelo de Évora Monte, Eduardo Basso, instituição que propôs a realização dos trabalhos.
As escavações acontecem, ate o final deste mês, numa região próxima da Ermida de Santa Margarida, exterior às muralhas medievais.
Os trabalhos, dirigidos pelo arqueólogo Rui Mataloto, da Associação Portanta, contam com uma equipe que inclui e arqueóloga Catarina Alves e dez estudantes de arqueologia de várias universidades portuguesas e inglesas.
Segundo o arqueólogo Rui Mataloto, estas são as primeiras escavações realizadas em Evoramonte para comprovar se naquele local existiu a localidade de Dipo. "Havia indícios, resultantes da cerâmica à superfície, que apontavam para a possível existência de uma cidade pré-romana naquele local".
Pesquisas
Ressaltando que "as escavações servem para testar os vestígios que existiam", Rui Mataloto garantiu à Agência Lusa que os trabalhos "estão comprovando a existência de um povoado pré-romano no local".
A cidade de Dipo, de acordo com o mesmo especialista, é mencionada como fazendo parte do itinerário romano, depois de Évora e no sentido de Mérida, na Espanha.
Para confirmar-se a existência de uma povoação pré-romana, devem ser feitas escavações posteriores que permitam prosseguir os estudos para se apurar as características da localidade.
Segundo o pesquisador, o projeto vai se prolongar por vários anos, em colaboração com a Prefeitura Municipal de Estremoz.
Rui Mataloto destacou que já foi possível, durante as escavações, "documentar a presença de um arrabalde medieval na parte exterior da muralha do castelo de Evoramonte".
"As escavações estão a revelar dados que permitem concluir que a vila de Evoramonte, na época medieval, não se limitava a uma ocupação apenas na área interior da muralha do castelo, estendendo-se também para o exterior", disse.
Patrimônio
Para o do presidente da Liga dos Amigos do Castelo de Évora Monte, Eduardo Basso, a confirmação da tese sustentada por alguns arqueólogos de que naquele local se situou a cidade de Dipo iria contribuir para o desenvolvimento turístico do distrito de Estremoz.
Embora se desconheça a data da fundação de Evoramonte, os vestígios encontrados demonstram a sua ocupação pelos romanos. Conquistada no século 12, a povoação obteve o primeiro foral em 1248, concedido por D. Afonso 3º.
Edificado no reinado de D. Dinis, o castelo de Evoramonte, monumento nacional, erguido num dos pontos mais elevados da Serra d'Ossa, está sob a responsabilidade do Instituto de Gestão do Patrimônio Arquitetônico e Arqueológico.
D. Dinis, em 1306, ordenou a fortificação da vila, restando dessa campanha a cerca amuralhada e as portas dionisinas.
Na localidade, foi assinada a Convenção de Evoramonte, em 26 de maio de 1834, que pôs fim à guerra civil de 1832-1834, travada entre absolutistas e liberais.