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27/07/2011 - 07h00

Estilo seco torna "Assassin's Creed - Renascença" um resumo diluído da história do jogo original

GUILHERME SOLARI
Colaboração para o UOL

Divulgação

Capa do livro

Capa do livro "Assassin's Creed - Renascença"

"Assassin's Creed - Renascença" é a adaptação literária de "Assassin's Creed 2", jogo para PC, Xbox 360 e PlayStation 3 lançado em 2009. A história acompanha a trajetória do jovem Ezio Auditore em busca de vingança. Depois que sua família é traída na Itália do final do século 15, ele descobre fazer parte de um antigo grupo de assassinos envolvido em uma conspiração pela dominação global contra a Ordem dos Templários.

É sempre difícil converter a história de uma mídia a outra, e esse problema fica ainda maior quando uma delas é interativa, como os videogames. Os fãs têm a expectativa de que a história seja replicada de acordo com o original, mas, ironicamente, a grande fidelidade talvez seja um problema de "Assassin's Creed - Renascença".
 
É pouco dizer que a obra replica à risca a narrativa do game. Até os tutoriais - que ensinam os comandos ao jogador - são descritos. Como quando Ezio aprende a roubar em uma encenação num bordel ou como frequentemente visita Leonardo da Vinci para melhorar suas armas ou vai até a cidade comprar um kit de primeiros socorros. 
 
Diferenças narrativas existem, mas são em grande parte mudanças nos nomes de personagens coadjuvantes ou detalhes que não impactam no enredo. A maior ausência são os acontecimentos em 2012 do game seguindo o descendente de Ezio, Desmond, sobre o desdobramento da batalha entre Assassinos e Templários. A história do livro ocorre toda no passado.
 
"Assassin's Creed 2" é um jogo com direção de arte impecável e as ricas cidades mercantes da Itália renascentista são muito bem retratadas, seja na arquitetura, seja nas armaduras adornadas de soldados e mercenários. A adaptação literária, no entanto, adota um tom direto e seco, que lembra mais um passo-a-passo do game do que um romance.
 
Muitas das melhores novelizações de videogames ou filmes são justamente aquelas que não copiam palavra a palavra do original, mas tomam liberdades. Como os romances de "Star Wars", que trazem personagens que nunca apareceram na saga cinematográfica criando o universo expandido, assim como a morte de protagonistas dos longas. A tradução de "Assassins Creed Renascença" é sólida em grande parte, mas há momentos raros nos quais ela escorrega em interpretações literais que geram sentenças sem sentido.
 
"Assassins Creed - Renascença" tem seus méritos, mantém muito do mistério e ação da trama original, assim como os personagens marcantes, se ao menos em um estilo um pouco destilado. Uma obra que pode atrair quem aprecia uma narrativa muito direta ou o entusiasta inveterado da série que não consegue aguardar pela conclusão da saga de Ezio no jogo "Assassin's Creed Revelations", com previsão de lançamento em novembro. Para o resto, quem sabe valha mais a pena revisitar a história pelos games mesmo.
 

"Assassin's Creed - Renascença"

Autor: 
Oliver Bowden
Editora: 
Editora Record
Tradutor: 
Ana Carolina Mesquita
Páginas: 
378
Preço: 
R$ 32,90

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