 Capas de "Ascensão e Queda do Terceiro Reich", divididos em dois volumes na nova edição |
Na época de sua publicação, em 1960, "Ascensão e Queda do Terceiro Reich" foi tachado de não ser suficientemente acadêmico por alguns historiadores. De fato, para a alegria de muitos leitores, a obra que se tornaria referência indispensável sobre a Alemanha nazista está mais para um minucioso e grandioso livro-reportagem.
Escrito pelo jornalista norte-americano William L. Shirer (1904-1993), o livro de quase 2 mil páginas acaba de ganhar uma nova edição pela editora Agir, em dois volumes: "Triunfo e consolidação 1933-1939" e "O começo do fim 1939-1945". Em sebos, ainda é possível encontrar a versão anterior, da editora Civilização Brasileira (em 4 volumes), lançada pela primeira vez em português em 1962.
Shirer foi trabalhar como repórter na Europa na década de 1930, primeiramente para o Universal News Service e depois para a rádio CBS. Cobriu a subida ao poder do partido nazista e era o único correspondente norte-americano em Viena no momento da anexação da Áustria pela Alemanha, em 1938.
Esteve presente em diversos comícios e eventos, testemunhou os discursos de Hitler e noticiou, entre outros, o Acordo de Munique e a invasão da Polônia (1939), que deflagrou a Segunda Guerra Mundial. Só saiu da Alemanha em 1940.
Para realizar sua obra monumental, Shirer aliou a experiência de testemunha ocular da história e uma exaustiva pesquisa nas toneladas de documentos dos arquivos do 3º Reich, capturados pelos aliados ao final da guerra, em 1945.
"Antes, creio eu, jamais tão vasto tesouro caiu nas mãos de historiadores contemporâneos. [...] O rápido colapso do Terceiro Reich, na primavera de 1945, resultou na captura não apenas de enorme quantidade de documentos secretos mas também de outros materiais de inestimável valor, tais como diários íntimos, discursos altamente secretos, relatórios de conferências, correspondência, e até mesmo reproduções de conversas telefônicas entre os chefes nazistas", escreve o autor.
Para encarar o desafio de escrever "a quente" a história de um dos episódios mais trágicos do século 20, Shirer recorreu à objetividade jornalística, buscando se ater ao relato factual e documentado. Por exemplo, para verificar a popularidade do livro "Minha Luta", de Hitler, antes de sua ascensão ao poder, Shirer verifica o pagamento de direitos autorais ao futuro Führer. Enquanto os nazistas clamavam que a obra vendera 23 mil exemplares no ano de seu lançamento, Shirer mostra que na verdade o número não ultrapassou 9.500.
"Nenhum incidente, nenhum episódio ou citação provém de minha imaginação: baseiam-se todos em documentos, em depoimentos de testemunhas oculares e em minha própria observação pessoal. Em algumas passagens, há certa especulação, devido à ausência de fatos positivos, mas ela está claramente rotulada", ele afirma no prefácio.
Shirer, que se declarava antitotalitarista ferrenho, escreveu "Ascensão e Queda" durante 5 anos e meio na década de 1950, quando ficou afastado das redações após entrar para a lista negra do macarthismo, por suspeita de ser comunista. O jornalista publicou quase duas dezenas de livros, romance e não-ficção, entre eles "The Colapse of the Third Republic" (1969), sobre a queda da França sob o nazismo em 1940.
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