01/11/2009 - 10h11
Facebook terá cemitério virtual para usuários mortos
Paula Gil.
San Francisco (EUA), 1º nov (EFE).- Por mais estranho que possa parecer, o Facebook já conta um uma versão on-line de um cemitério, um lugar para onde os "espíritos virtuais" daqueles que passaram boa parte da vida participando de atividades na rede social poderão encontrar um descanso eterno.
Com a adesão de 300 milhões de pessoas, a rede social anunciou a criação do espaço dedicado à memória dos usuários mortos recentemente.
"Quando alguém nos deixa, não sai da nossa memória nem da nossa rede social" escreveu Max Kelly, responsável pela segurança de Facebook, no blog corporativo da empresa.
"Para refletir sobre essa realidade criamos os perfis comemorativos, um lugar onde as pessoas podem guardar e compartilhar as lembranças dos que já morreram".
Os perfis são privados e, para evitar brincadeiras de mau gosto, é preciso fornecer ao Facebook uma prova de que à pessoa realmente morreu - como a publicação de um anúncio fúnebre - para a transferência do perfil ao novo destino.
Paralelamente, o Facebook se compromete a retirar as informações pessoais do morto para evitar que seus amigos e familiares se deparem regularmente com fotos e antigas mensagens.
Recentemente, a rede social introduziu uma nova função pedindo aos usuários que estimulem outros membros a aumentar sua atividade no Facebook. Durante a atividade, porém, muitos se depararam com pessoas tentando estabelecer contatos com perfis de pessoas mortas.
"Estas contas também vão evitar que alguém procure por elas no futuro, mas segue permitindo que a família e os amigos deixem mensagens de lembrança", acrescentou Kelly no blog.
Como um fenômeno relativamente novo, as redes sociais acabaram enfrentando essa nova situação.
No Facebook, o grupo demográfico que mais cresce não é o de adolescentes ou de universitários, mas o das mulheres com mais de 55 anos, segundo um estudo publicado recentemente. No LinkedIn, uma popular rede social de contatos profissionais, a média de idade é de 40 anos.
Na mesma proporção que aumenta a vida online, cresce o número de ideias originais para transmitir o legado na internet quando já os usuários não estejam mais vivos.
Com tarifas ao redor de US$ 25 ao ano, já existem companhias americanas oferecendo a custódia das senhas do nosso universo online, que serão entregues aos descendentes quando da morte.
O mais urgente nestes casos parece ser o bloqueio de senhas dos bancos, mas o legado virtual é muito mais amplo.
Você já pensou o que ocorrerá com todos os contatos mantidos nas redes sociais e os que ninguém poderá notificar no caso de morte? Ou com as centenas de fotos postadas em páginas como Flickr?
Existem páginas como a www.slightlymorbid.com que permitem a criação de uma lista de pessoas às quais se têm a intenção de comunicar em casa de morte ou simplesmente no caso de um sofrer um acidente que impeça o acesso à rede.
Mike e Pamela Potter, um casal do Colorado, teve a ideia de criar o serviço quando um amigo que só conheciam na internet deixou de dar sinais de vida. Os Potter acreditaram que o amigo tivesse morrido, no entanto, a pessoa só estava fora por causa de longas férias.