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30/08/2006 - 04h11
Najib Mahfuz foi o maior cronista do Egito contemporâneo
Cairo, 30 ago (EFE).- O único escritor de língua árabe premiado com o Nobel de Literatura, Najib Mahfuz, que recebeu o prêmio em 1988, foi considerado pela crítica o maior cronista do Egito atual.

Nascido em 11 de dezembro de 1911, Najib Mahfuz, casado e pai de duas filhas, era o caçula dos sete filhos de um funcionário de baixa categoria. Ele adquiriu um profundo conhecimento da literatura medieval e árabe no seu curso de graduação.

Na Universidade Rei Farouk I (hoje Universidade do Cairo), onde estudou Filosofia, começou a escrever artigos para revistas especializadas, como "al-Mayal", "al-Yadid" e "al-Risala". A fim de aperfeiçoar seu inglês, em 1932 traduziu para o árabe a obra de James Baikie "O antigo Egito".

Depois de terminar os seus estudos, começou a escrever ficção e publicou diversos relatos nos anos seguintes. Em 1938 publicou a coleção "Murmúrio da loucura".

Entre 1939 e 1954, enquanto trabalhava no Ministério de Assuntos Religiosos, publicou três livros de uma série de romances históricos ambientados no período faraônico, que deveria chegar a 40 volumes pelo projeto original.

Mais tarde, abandonou o projeto e se dedicou a escrever sobre temas sociais, ao mesmo tempo que escrevia roteiros para o cinema. A esta etapa pertence, por exemplo, "O princípio e o fim" (1960), que contou com a participação de um jovem Omar Sharif.

Considerado um dos escritores árabes contemporâneos mais inovadores, o tema central de seus romances foi o homem e sua impotência para lutar contra o destino e as convenções sociais.

Em 1947 publicou "O beco dos milagres", um de seus textos mais famosos. O livro foi levado ao cinema em 1995 pelo diretor mexicano Jorge Fons, que ambientou a história no México.

No clima de mudança política após a queda da monarquia egípcia, em 1952, sua"Trilogia do Cairo" (1956-1957) fez um grande sucesso. A obra se inspira em sua própria biografia e narra a história de uma família de classe humilde no período de 1917 a 1944.

Sua produção chega a cerca de 40 romances e coletâneas de contos, a maioria traduzida para o inglês e o francês. Entre suas obras merecem destaque "O ladrão e os cachorros" (1961), "Miramar" (1967) e "Palácio do desejo" (1990).

Ao longo de sua carreira experimentou com a técnica narrativa e especialmente, com o monólogo interior e a literatura do absurdo.

Mahfuz foi também um escritor engajado. Por seu apoio incondicional ao tratado de paz entre Egito e Israel, em 1979, foi incluído na lista negra de vários países árabes.

No fim dos anos 80, o líder islâmico radical Omar Abdel Rahman, hoje na prisão pelo atentado às Torres Gêmeas de Nova York, condenou o escritor à morte por causa do seu livro mais famoso, "Os filhos de nosso bairro".

A obra, que valeu a Mahfuz o reconhecimento mundial, paradoxalmente é proibida no Egito desde a publicação, em 1959, de vários fragmentos num jornal do país.

Mahfuz foi alvo de vários atentados. Em 1994 foi apunhalado no pescoço por um fundamentalista e dois anos mais tarde foi chamado de "herege" e condenado à morte por grupo de radicais islâmicos. Desde então permaneceu praticamente recluso em sua casa, com saídas esporádicas e controladas pela Polícia.

Em 1988, a Academia Sueca premiou o autor egípcio com o Prêmio Nobel de Literatura por "ter elaborado uma arte narrativa árabe com validade universal".

Além disso recebeu, entre outros, o Prêmio da Academia da Língua Árabe e o Prêmio Egípcio de Literatura. Candidato ao Prêmio Príncipe de Astúrias em 2000, dá seu nome a um Prêmio de Tradução organizado pelo Instituto Cervantes.

Há três anos, foi hospitalizado após sofrer uma repentina crise cardíaca. Sua saúde começou a se deteriorar em 1994, após o atentado, que causou graves danos à visão e à audição, além da paralisia do braço direito.

Desde 18 de julho estava internado no Hospital da Polícia do Cairo, onde hoje morreu.
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