O presidente cubano, Fidel Castro, sugeriu nesta segunda-feira que pode abrir mão de seu posto formal de liderança no país, em carta lida no principal programa de debate da televisão estatal cubana, Mesa Redonda.
Esta foi a primeira vez que o líder cubano, que não é visto em público há cerca de um ano e quatro meses, mencionou a possibilidade de se aposentar.
"Meu dever elementar não é agarrar-me a cargos, e muito menos obstruir o caminho de pessoas mais jovens, e sim aportar experiências e idéias cujo modesto valor procede da época excepcional que me coube viver", disse Fidel na carta.
"Penso como (o arquiteto brasileiro Oscar) Niemeyer, que se deve ser conseqüente até o final", acrescentou.
Esta não é uma carta formal de renúncia e ainda não há indicação de como ou quando ele pretende abrir mão do poder.
Fidel Castro está à frente do governo comunista da ilha do Caribe desde a vitória de sua revolução, em 1959. Em julho de 2006, contudo, o presidente se submeteu a uma cirurgia no estômago em caráter de emergência, transferindo o poder temporariamente para seu irmão mais novo, Raúl. Ele não tem sido visto em público, mas marca presença através de editoriais regulares em jornais.
Em meados de dezembro, o presidente cubano, Fidel Castro, de 81 anos, foi indicado para concorrer a uma vaga na próxima eleição para a Assembléia Nacional. Para poder voltar à Presidência de Cuba a partir de 2008, Castro precisa ser reeleito na Assembléia.
A carta lida na TV cubana indica, contudo, que ele pode estar disposto a abrir mão do poder. Sua referência a uma nova geração de líderes pode indicar que seu irmão, de 79 anos, pode não ser automaticamente seu sucessor.