UOL Entretenimento Notícias

21/08/2008 - 23h07

Conheça a história do teatro Cultura Artística

Da Redação
O teatro Cultura Artística foi inaugurado com duas apresentações nos dias 8 e 9 de março de 1950. No programa, concertos preparados pelos compositores Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri especialmente para a ocasião. Era o começo de uma série de espetáculos de grande importância para a formação cultural de São Paulo, série esta interrompida na madrugada do último sábado (17) por um incêndio que destruiu quase toda estrutura do teatro.



O edifício foi uma das maiores realizações da Sociedade Cultura Artística, entidade criada em 1912 por artistas, intelectuais, jornalistas e empresários paulistanos para estimular a vida cultural da cidade, hoje presidida pelo bibliófilo e empresário José Mindlin.

Construído entre 1947 e 1950, o projeto do teatro foi encomendado ao arquiteto Rino Levi (1901-65), responsável por outros prédios importantes em São Paulo, como o hospital Albert Einstein. Sua sala principal, com 1.156 poltronas, recebeu o nome de Esther Mesquita, diretora da Sociedade por três décadas e grande entusiasta do projeto. O painel de 48 metros de largura por 8 metros de altura formado por pastilhas de vidro e assinado por Di Cavalcanti foi produzido especialmente para a fachada do teatro. O afresco sobreviveu com poucos estragos ao incêndio de sábado.

Grandes nomes
O teatro Cultura Artística foi palco de centenas de eventos memoráveis com artistas e intelectuais nacionais e estrangeiros, como a apresentação da cantora Edith Piaf em maio de 1957 e a conferência do filósofo francês Jean-Paul Sartre em 1960. Praticamente todos os grandes nomes do teatro brasileiro se apresentaram em alguma de suas duas salas (além da Esther Mesquita, havia a sala Rubens Sverner, ou "Culturinha", com 339 lugares), como Paulo Autran, Tônia Carrero, Cacilda Becker, Jardel Filho, Sérgio Cardoso e Dercy Gonçalves, entre os mais antigos, e Marieta Severo, Regina Duarte, Debora Bloch, Denise Stoklos, Diogo Vilela e Fernanda Torres, de gerações mais recentes.

No campo da música, a lista de quem já se apresentou no Cultura Artística também é extensa: pianistas como Arthur Rubinstein, Guiomar Novaes, Magda Tagliaferro e Nelson Freire; os maestros Pierre Boulez, Zubin Mehta e Kurt Masur; o violoncelista Yo-Yo Ma e a cantora Kiri Te Kanawa; dentre muitos outros nomes. Além de uma acústica adequada, o teatro contava com dois valiosos pianos Steinway, um deles com 20 anos de uso e outro praticamente novo, doado pela família alemã Baumgart e inaugurado em abril último com um concerto do catarinense Pablo Rossi, de 19 anos. A família Baumgart já afirmou que doará um novo modelo ao teatro, no valor de US$ 130 mil.

Divulgação / Priscila Prade
Última peça do ator Paulo Autran, "O Avarento" estreou no Cultura Artística em 2006
VEJA FOTOS DE "O AVARENTO"
Entre os espetáculos apresentados no teatro Cultura Artística na última década, podem ser destacados concertos como os do violinista Pinchas Zukerman e da cantora Kiri Te Kanawa em 1997, do violinista Vladmir Repin em 1999 e de Yo-Yo Ma com a pianista Kathryn Stott em junho de 2007. Além disso, musicais como "Vitor ou Vitória" (2001) e "Aída" (2008) também foram apresentados na sala Esther Mesquita. No teatro, alguns dos destaques foram a peça "Para Sempre", de Maria Adelaide Amaral, com Paulo Autran vivendo um homossexual, em 1997; "A Flor do Meu Bem-Querer", com Juca de Oliveira, em 2003; "Sete Minutos", de Antônio Fagundes; e a última peça encenada por Paulo Autran, "O Avarento", em 2006.

Um artista cuja carreira quase se confunde com a do Cultura Artística é Marco Nanini, que encenou em seus palcos montagens como "Uma Noite na Lua", "O Burguês Ridículo" e sua peça de maior sucesso, "O Mistério de Irma Vap". A peça ficou cinco anos em cartaz no teatro e em 1997, por coincidência, teve parte dos cenários e equipamentos destruídos em um incêndio. Atualmente, Nanini estava em cartaz no mesmo Cultura Artística com sua versão teatral para "O Bem Amado".

Futuro
A Sociedade Cultura Artística anunciou que irá reembolsar quem já tinha ingressos comprados para as peças "O Bem-Amado", que teve sua temporada cancelada, e "Toc Toc", que deve ser transferida para outro espaço, ainda não definido. As apresentações de música clássica da temporada serão transferidas para a Sala São Paulo ou o Teatro Municipal.

Gérald Perret, superintendente do teatro Cultura Artística, afirmou que o valor do seguro do teatro - cerca de R$ 5 milhões - não será suficiente para recuperar os prejuízos causados pelo incêndio. A estrutura do prédio foi seriamente comprometida pela temperatura das chamas, que chegou a 800º C dentro da sala Esther Mesquita e entortou as vigas de sustentação do teto, fazendo-o desabar. De acordo com Perret, se for decidido pela reconstrução do Cultura Artística no mesmo local - a rua Nestor Pestana, no centro da cidade -, a Sociedade tentará interligá-lo com a Praça Roosevelt.

Para realizar sua temporada 2008, o teatro Cultura Artística entrou com um pedido de verba de R$ 5,8 milhões junto ao Ministério da Cultura, que aprovou a captação de R$ 2,6 milhões - desse montante, até o momento, havia sido arrecadado apenas R$ 1,1 milhão. O teatro apresentou em julho deste ano um pedido de R$ 4,3 milhões para a temporada de 2009, que atualmente está em fase de análise, de acordo com o Ministério da Cultura.

Parte da comunidade artística já se movimenta para auxiliar na reconstrução do teatro: em comunicado enviado à imprensa na última quarta (20), o coreógrafo Ivaldo Bertazzo afirmou que a renda do primeiro dia de bilheteria de sua nova montagem, "Noé! Noé! Deu a Louca no Convés", será revertida para este fim. O Tuca, onde a peça de Bertazzo entrará em cartaz, foi atingido por um incêndio em 1984, e na época sua reconstrução foi auxiliada pelo projeto "SOS Tuca".

Compartilhe:

    RECEBA NOTÍCIAS

    GUIA DE RESTAURANTES

    Mais Guias

    Hospedagem: UOL Host