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27/02/2008 - 01h55

Marco do teatro musical, "West Side Story" ganha versão brasileira em março

GUSTAVO MARTINS
Da Redação
Estréia no próximo dia 8 de março, no Teatro Alfa, em São Paulo, a mais nova adaptação de um musical da Broadway para palco e idioma locais: "West Side Story" (cuja versão para o cinema foi traduzida aqui como "Amor, Sublime Amor").

A produção custou R$ 5 milhões e tem 42 atores, uma orquestra de 23 músicos e 12 cenários diferentes.

Inspirado livremente na peça "Romeu & Julieta", de William Shakespeare, o musical causou comoção em sua estréia na Broadway, em 1957, por mostrar protagonistas jovens de tênis e trajes urbanos, coisa pouco comum para a época. Além do choque de costumes, "West Side Story" também se destacou pelo "dream team" em sua concepção: coreografia de Jerome Robbins, texto de Arthur Laurents, música de Leonard Bernstein e letras de Stephen Sondheim (compositor, entre outros, do musical "Sweeney Todd", recentemente adaptado para o cinema por Tim Burton).

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  • "O musical é muito melhor que o filme", afirma Jorge Takla, diretor, produtor, iluminador e cenógrafo da montagem brasileira de "West Side Story", sobre a adaptação cinematográfica de 1961 que ganhou dez Oscar. "O ator do filme [Richard Beymer] era péssimo, além das partes cantadas serem todas dubladas. Fora isso, vários momentos foram 'abrandados' para se encaixar aos padrões de Hollywood na época", afirma.

    "West Side Story" conta a história do amor proibido entre o norte-americano Tony e a porto-riquenha Maria. No lugar das famílias Montecchio e Capuleto, estão a separá-los as gangues Jets e Sharks, grupos rivais do subúrbio de Nova York no fim dos anos 50.

    Inovações
    De acordo com Tânia Nardini, responsável pela preparação de dança dos atores, a coreografia criada por Jerome Robbins (que também co-dirigiu a versão para o cinema) tornou-se uma das mais influentes da história da Broadway por subordinar todos os movimentos à narrativa, sem os "momentos meramente ilustrativos" que eram usuais no gênero.

    Musicalmente, a versão brasileira de "West Side Story" segue à risca a partitura original de 1957, que tem menos instrumentos e partes que a versão sinfônica preparada por Bernstein para o cinema. As letras de Stephen Sondheim foram traduzidas para o português por Cláudio Botelho - "de maneira mais livre, fonética", de acordo com Takla -, transformando canções conhecidas como "Tonight", "I Feel Pretty" e "A Boy Like That" em "Você", "Tão Bonita" e "Só Mais Um", respectivamente.

    Divulgação
    Divulgação
    O casal Maria e Tony (acima) e Anita, personagens do musical "West Side Story"
    Para o regente Luis Gustavo Petri, diretor musical da montagem, Bernstein conseguiu em "West Side Story" unir influências eruditas com passagens de jazz e temas latinos, criando uma peça ao mesmo tempo elaborada e impactante. "Para os chatos que gostam de analisar a música nos mínimos detalhes, cada compasso é um prato cheio", afirma Petri. Ele acredita que o maior legado do musical tenha ficado, curiosamente, para as trilhas de cinema, que adotaram como padrão as formações sinfônicas após o filme de 1961.

    Novo mercado
    Com 30 anos dedicados a musicais completados em 2007, o diretor Jorge Takla se declara feliz por finalmente poder montar o que ele chama de "um dos pilares do teatro musical". "Antes, não tínhamos público e sequer artistas capacitados para executar algo como 'West Side Story'", afirma. "Hoje já existe um bom mercado para isso e atores especializados, a ponto de podermos montar uma peça tão elaborada sem fazer praticamente nenhuma adaptação."

    Takla cita como exemplo uma das canções em que Tony, o protagonista, precisa executar um altíssimo si bemol: "Na montagem original, não conseguiram encontrar um ator que fosse capaz de dançar e alcançar a nota, e ele cantou outra, mais baixa. Na nossa versão, Tony canta o si bemol".

    A produção é o segundo dos três "pilares do teatro musical" que Takla pretende montar no Brasil. O primeiro foi "My Fair Lady", em 2007, e o próximo, de acordo com o diretor, ele "não revela nem morto".



    "WEST SIDE STORY"
    Onde: Teatro Alfa - r. Bento Branco de Andrade Filho, 722 - São Paulo - tel. (11) 5693-4000
    Quando: Estréia dia 8 de março, temporada de 100 apresentações até 27 de junho de 2008
    Quanto: de R$ 40 a R$ 150

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