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20/02/2008 - 22h15

Exposição File reúne arte digital e interação em Porto Alegre

JOSÉ BUENO DE SOUZA
Enviado especial a Porto Alegre*
Crianças correndo de um lado a outro denunciam o clima incomum para uma exposição de arte no suntuoso edifício do Santander Cultural no centro de Porto Alegre. Trata-se da primeira edição do File (Festival Internacional de Linguagens Eletrônicas) a ser exibido na cidade a partir de 20 de fevereiro, evento em que a experimentação com tecnologias é o principal foco.

Com 323 obras e instalações de 206 artistas de 30 países, o festival exibe trabalhos que utilizam vídeo, som, animação, Internet e principalmente privilegiam a interação com o público, que pode (e deve) participar da maioria das obras.

Divulgação
"Convergenze Parallele" capta os movimentos do pó e os transforma em som e imagens
VEJA IMAGENS DA EXPOSIÇÃO
VÍDEO MOSTRA OBRAS EM AÇÃO
O File gaúcho é uma compilação das oito edições que já passaram por São Paulo, somada a algumas obras inéditas que procuram destacar diferentes linguagens. "Não há uma temática que una as obras do File. O objetivo do festival é expor experimentações com a linguagem digital", explica Paula Perissinotto, co-curadora da exposição.

É o caso do trabalho "Jump!", do belga Yacine Sebti, em que o visitante é incentivado a saltar diante de uma câmera que capta seus movimentos e projeta sua imagem saltando ao lado de um grupo de pessoas entusiasmadas. O detalhe interessante é que esse grupo é composto por outros espectadores que participaram da instalação antes dele, e a cada participação o grupo se renova com a imagem do novo integrante.

Enquanto adultos acanhados perdem lentamente a inibição diante dos trabalhos, as crianças são as primeiras a emprestar seus movimentos e intervenções às obras que reagem ao público. "A interação com o espectador está presente em muitas das obras, pois elas abordam a criação coletiva e ajudam a criar questionamentos sobre a utilização da tecnologia e a individualidade", diz Ricardo Barreto, também co-curador da File.

A criação coletiva também aparece no trabalho "GPSarte", de Cícero Silva e Marcos Khoriati, que utiliza celulares com tecnologia GPS para desenhar sobre mapas na Internet. As pessoas que possuem aparelhos com essa tecnologia podem baixar para seus celulares um programa no site do projeto e "desenhar" via satélite em mapas expostos no evento. Ao se movimentar pela cidade, o programa arquiva o trajeto e marca sobre o mapa o caminho percorrido pelas pessoas que o utilizam.

Um dos pontos mais importantes da experimentação com as linguagens digitais na arte é a produção coletiva das obras, que unem diversas abordagens e técnicas. "Por unirem diferentes disciplinas, muitas das obras são produções coletivas, colaborações entre artistas gráficos, fotógrafos, programadores, etc. Por isso podemos usar o termo 'criadores' para os componentes desses coletivos", explica o co-curador do File Ricardo Barreto.
COLETIVIDADE
"GPSarte" também será exibida na versão carioca do File que acontece paralelamente à de Porto Alegre, entre os dias 27 de fevereiro e 30 de março no museu Oi Futuro. Durante o período, o trabalho vai destacar mapas das duas cidades, que serão desenhados simultaneamente pelos participantes do projeto.

Outro destaque é "Convergenze Parallele", do venezuelano Ernesto Klar, instalação em que o visitante pode utilizar poeira para criar sons e imagens. "Uma câmera capta os movimentos do pó que agitamos sobre ela e exibe sua trajetória no telão ao mesmo tempo que cria sons sincronizados com as imagens", explica o artista.

Produção nacional
O File destaca trabalhos de diversas partes do mundo, mas a produção nacional ainda está muito aquém do que se desenvolve em países como EUA, Alemanha e Áustria. De acordo com Paula Perissinotto, o principal motivo para o pouco desenvolvimento da área no Brasil é a falta de estrutura nas universidades. "A academia seria o local ideal para essa produção, principalmente porque aproxima em um mesmo ambiente pessoas que trabalham em disciplinas variadas, tanto técnicas quanto artísticas. Mas a maioria de nossas universidades ainda não desenvolveu formas de abordar o tema. É uma produção cara, que precisa de investimento para se desenvolver", diz.

Mesmo assim, o crescimento do evento, que em sua última edição em São Paulo recebeu cerca de 32 mil pessoas, contribui para que novas experiências surjam na área. A próxima edição do File na capital paulista está prevista para agosto, e o processo de seleção dos trabalhos deve começar em breve.

Veja a seguir mais imagens do File de Porto Alegre na reportagem do programa "Metrópolis"





FILE PORTO ALEGRE

Quando:
de 20 de fevereiro a 20 de abril
Onde: Santander Cultural, rua Sete de Setembro, 1028. De segunda a sexta, das 10h às 19h. Sábados, domingos e feriados, das 11h às 19h
Quanto: Entrada franca

* O jornalista José Bueno de Souza viajou a convite do Santander Cultural

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